A atividade econômica na América Latina continua a se recuperar, mas “em um quadro de dificuldades”, avalia o FMI (Fundo Monetário Internacional), ao rever para baixo a previsão de um tímido crescimento de 1,6% para a região neste ano. Para 2019, a previsão chega a 2,6%. Em abril, o Fundo previa que a AL cresceria 2% neste ano.

Em seu relatório, o FMI cita que, embora alguns países tenham acelerado o ritmo de crescimento, outros estão tendo dificuldades em se recuperar, devido a pressões externas, “amplificadas por vulnerabilidades específicas dos países”.

Nesse caso, entra o Brasil, cuja previsão foi revista de 2,3% para 1,8%, resultado de inúmeros problemas: crise política, greve dos caminhoneiros, sanções internacionais, entre outros.

Mas a região tem ainda outros problemas graves, como a intensa crise vivida pela Argentina, que deve registrar recessão neste semestre, e fechar com PIB de 0,4% no ano. O país vive uma intensa instabilidade monetária.

O Chile, na contramão, deve crescer 3,8% neste ano, acima da projeção anterior de 3,4%, graças à força da confiança das empresas e dos consumidores no país.

Mas o caso mais grave é o da Venezuela, que enfrenta "profunda crise econômica e social". O PIB real do país deve encolher 18% neste ano e 5% em 2019, com queda forte na produção de petróleo e muitas distorções microeconômicas, em um quadro de "grandes desequilíbrios macroeconômicos", diz o FMI. Além disso, o Fundo projeta inflação e 1.000.000% no fim de 2018, comparando o quadro no país à Alemanha de 1923 ou ao Zimbábue do fim dos anos 2000. O Fundo prevê ainda a disseminação de efeitos negativos do quadro venezuelano em países vizinhos, sem entrar em detalhes. Uma dessas consequências já sente o próprio Brasil, que tem recebido grande quantidade de venezuelanos que fogem da crise econômica e política.