Tudo se iniciou no dia 13 de novembro de 1951, quando, após muitas horas de trabalho de parto acompanhado por uma parteira experiente, foi recomendado que minha mãe fosse encaminhada ao hospital para que o desenrolar desse distócico parto se resolvesse pelas mãos experientes do Dr. Moises Paciornik. Nasci após fórceps com os surpreendentes 5.480 quilos. Também surpreendente foi minha evolução, pois não apresentei hipoglicemia tão comum em fetos macrossômicos, o que acarreta óbito ou lesão cerebral.

Tive uma infância um tanto solitária, pois minha mãe não tornou a gestar, ficando, portanto, como filho único, vivendo em casa dos avós, pais e tios, todos sob o mesmo teto.

Em meados de 1954, meu avô materno foi atropelado frente à nossa casa e, após lenta agonia de 12 dias, acabou falecendo. Esse episódio fez com que minha avó Julia transferisse todo o cuidado do mundo para mim. Fiquei um tanto prisioneiro dos temores e dos anseios dessa avó amada, mas cuidadosa ao extremo.

Na adolescência, tive meu alvará de liberdade aos 15 anos, podendo sair com os amigos para os bailes da vida. Foi, sem dúvida, um período maravilhoso de descobertas, de paixões avassaladoras por várias meninas, algumas correspondidas, outras não. Tristezas de amor não correspondido afogadas em cuba libre, bebida da época de toda juventude.

Eis que aos 18 anos tive que deixar minha cidade, Curitiba, meus amigos inseparáveis, meu time de coração, o Atlético (sem H na época), e uma paixão grande do meu local de trabalho. Mudamos todos, meus pais, avó Júlia e eu, para Londrina.

Novamente a solidão parecia que retornaria à minha vida, pois os amigos e a namorada ficaram na distante Curitiba.

Contudo, aquela Londrina da época, muito mais avançada que a provincial Curitiba, despertou novamente em mim o jovem apaixonado, feliz e baladeiro.

Tive que dividir meu tempo em trabalho na Cia de Seguros, estudo e preparo para vestibular de Medicina da Fuel (sim, na época era uma Fundação) e noites de festas com os novos amigos.

Após um ano de intensa dedicação aos estudos, passei no vestibular tão concorrido e disputado da época.

Tive que me dedicar à faculdade, durante quatro anos, um tempo também dividido para uma carreira temporária de professor de Mecânica e de Monitor de Enfermagem para complemento de sobrevivência e independência de meus pais, visto que a vida era muito sacrificante para todos.

Por fim, em 1976, recebi meu diploma de médico, tão desejado por mim e minha família amada e iniciei um novo ciclo de vida, em Cascavel, a partir de março de 1977. Cidade esta que me acolheu, deu todas as oportunidades e as realizações ao longo desses 44 anos de intensa alegria e trabalho. Só separadas por cursos de especialização e aperfeiçoamento na cidade do Rio de Janeiro por dois anos e meio.

Nesses últimos 44 anos, divido toda minha felicidade com uma esposa maravilhosa, Eneida, e os filhos Paula Beatriz, Roberta e Olavo, além de um presente de Deus, nossa netinha Elena. Portanto, só há agradecimentos por tudo o que a vida me presenteou nesses meus quase 70 anos de jornada vitoriosa.

 

Por Dr. Luiz Sérgio Fettback – Médico ginecologista