AMPARAR

Coluna Amparar:  A força curadora de uma constelação familiar

28 de maio de 2022 às 07:30
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José Luiz Ames

Rosana Marcelino

 

No texto de hoje vamos contar uma história cujo desfecho parece mágico. É uma história que nos faz acreditar na força da mudança.

Uma senhora, viúva, veio nos procurar para constelar a situação de uma de suas filhas com deficiência e dificuldades de fala. A mãe relatou que esta filha teve paralisia cerebral durante o parto, do que resultaram dificuldades motoras e de fala. Queria olhar para isso por meio de uma constelação, porque temia pelo destino dela depois que ela morresse.

Tratava-se de uma família abastada. A filha morava com a mãe e tinha um posicionamento de não poder, e nem querer, nada da vida. Seus irmãos, que administravam o patrimônio da família, olhavam para ela como uma deficiente sem condições de conduzir a própria vida. Pelo fato de olharem para ela como deficiente, não a incluíam na divisão das rendas.

No processo da constelação familiar, foram colocados a mãe, o pai, a filha com dificuldades e os demais irmãos. Durante a constelação, a representante da filha com dificuldades repetia a frase: “a culpa foi minha; a culpa foi minha!”. Diante disso, a mãe confirmou que havia mais uma filha que morrera pequena em consequência de um acidente doméstico, e contou o que havia acontecido.

Relatou que estavam cozinhando gordura em um grande tacho de metal para fazer banha. As filhas brincavam na volta. Foi quando a filha com deficiências esbarrou na sua irmã menor e esta caiu dentro do tacho de metal com gordura fervente. Não havia o que fazer!

Na constelação foram feitos dois movimentos. Em um deles a representante da filha que morrera disse frases que liberavam sua irmã da responsabilidade pelo ocorrido. O outro movimento envolveu toda família. Os representantes dos irmãos disseram frases de reconhecimento do destino difícil que teve a irmã que morreu. Também falaram frases de reconhecimento do peso que a irmã com deficiência carregava em virtude do acidente que vitimou sua irmã menor.

Qual o desfecho da constelação? O desfecho imediato foi de alívio nos representantes de toda família. O desfecho de médio prazo foi o mais impressionante. A filha com deficiências passou a ter uma vida normal: voltou a estudar, começou um namoro, casou e teve um filho. Seus irmãos, por sua vez, passaram a incluir a irmã com deficiências na repartição das rendas e do patrimônio e a tratá-la com naturalidade e não como uma incapaz, como até então.

Este relato é uma mostra da força curadora que uma constelação familiar pode exercer sobre toda a família. Em uma constelação são colocadas em movimento forças maiores e em relação às quais não controlamos os efeitos. São as forças do amor, da inclusão. São essas forças que curam.

 

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JOSÉ LUIZ AMES E ROSANA MARCELINO são terapeutas sistêmicos e conduzem a Amparar – whatsapp https://bit.ly/2FzW58R (45) 9 9971-8152

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