Cascavel – Com sete mandatos no Legislativo de Curitiba, o professor Jorge Bernardi foi lançado ontem o candidato do PPL – que caminha para coligação com o Rede Sustentabilidade e o DC (Democracia Cristã) – ao governo do Estado do Paraná.

Filho de ferroviário e descendente de imigrantes italianos, Bernardi se apresenta como uma terceira via na disputa ao governo estadual, tirando a polarização entre famílias que tradicionalmente se mantêm no poder paranaense. “Tínhamos velhas oligarquias e hoje enfrentamos novas que continuam mandando no Estado. Nossa coligação com PPL e Democracia Cristã caminha para ser a terceira via nessa disputa. Nossa candidatura surgiu da necessidade de mudança. Queremos fazer com que o Estado seja nos próximos dez anos a terceira economia do Brasil, hoje somos a quinta. O segredo está aqui, no oeste do Paraná, onde temos agricultura forte”. Bernardi é filiado no Rede Sustentabilidade.

Advogado e jornalista, Bernardi é doutor em gestão urbana, atua como professor universitário em Curitiba – nasceu em Herval (SC) – e, aos 62 anos, se dispõe a uma batalha eleitoral mesmo após já ter cogitado deixar a política.

De Cascavel, ele escolheu seu vice-candidato, o advogado e ex-presidente da Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Juliano Murbach, que integra o PPL (Partido Pátria Livre).

“Caquistografia”

Em Cascavel ontem para participar da convenção do PPL, Bernardi criticou de maneira incisiva o ex-governador Beto Richa (PSDB), e, por extensão, toda a velha guarda da política nacional: “Vivemos uma ‘caquistografia’: termo usado pelos jornalistas para tipificar um governo dos piores indivíduos. No Palácio do Planalto, são oito ministros protegidos sob o manto do foro privilegiado. O próprio presidente da República [Michel Temer] está envolvido em processos. No Paraná, temos o ex-governador com mais de 11 inquéritos e vemos secretários estaduais que são denunciados e citados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal”.

Plano de governo

Para a disputa eleitoral, Bernardi já criou um documento preliminar com 18 eixos para o desenvolvimento sustentável do Paraná. Dentre as propostas principais está uma auditoria interna nas contas do Estado. “Precisamos saber dos contratos que sugam os recursos do Estado e o porquê de tantas obras paradas. Com essas auditorias em mãos poderemos reduzir em 10% o custeio do Estado, que é de R$ 24 bilhões. Se enxugarmos as áreas que consomem de maneira desnecessária, podemos investir nas áreas prioritárias, como segurança, educação e tecnologia”.

Marina Silva

Pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva aparece como pré-candidata à Presidência da República e Bernardi alega que ela tem sido vítima de falsas notícias, principalmente quando o tema é o agronegócio. “Marina defende um agronegócio sustentável, que é a maior riqueza do País. Queremos usar tecnologia na agricultura. Temos o Iapar [Instituto Agronômico do Paraná], que é uma referência no Brasil, mas ultimamente anda sucateado. Precisamos fortalecê-lo para usarmos mais tecnologia em nosso País”.

Enxugar a máquina pública

A descentralização do Palácio do Iguaçu é uma das medidas propostas por meio da efetivação de regiões metropolitanas, além da redução do comprometimento de recursos com a máquina pública, reduzindo as secretarias para 18, ou até menos. “Temos mais de 30 órgãos de primeiro escalão no Estado. Embora tenham proclamado os menores cargos de comissão no País, que correspondem a 2,5 mil, ainda é um exagero ao Paraná. Precisamos reduzir esses cargos, onde muitos não são ocupados por pessoas capacitadas”.

Sobre a situação atual, novamente Jorge Bernardi critica a atuação de Beto Richa: “Teremos que fazer um sacrifício conjunto, começando pelo governador. Eu viajo de carro – raramente de avião -, mas o ex-governador do Estado em sete anos e três meses viajou 780 mil quilômetros de avião, poderia ter ido à Lua, voltado e dado uma volta na Terra. Se ele tivesse viajado mais de carro e percorrido os caminhos do Paraná, conheceria mais os problemas do nosso estado”.

EDUCAÇÃO

O desenvolvimento econômico tem como premissa a educação. “Temos 390 mil estudantes no ensino médio e a metade está atrasada ou fora da escola – 318 mil terminam sem qualificação alguma. Por isso temos 550 mil desempregados no Estado”.

Para ele, uma alternativa é reforçar os cursos técnicos para atrair grandes multinacionais, interessadas em mão de obra.

INFRAESTRUTURA

Quanto à logística, Bernardi alega a necessidade de se resolver um dos maiores gargalos: o pedágio. Além disso, propõe investimentos nos trilhos, com ligações da Ferroeste até Guaíra e Foz do Iguaçu.

Sobre um novo aeroporto na região oeste, o candidato aponta um atraso na construção da estrutura poderia ser ainda mais audaciosa. “Cascavel precisa integrar essa rede de infraestrutura estadual – não deveria nem ser aeroporto regional, mas nacional para atingir todo o País”.