POLÍTICA

Beto Richa tem dois senões na sua disputa ao Senado

22 de dezembro de 2017 às 04:52
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Curitiba – A corrida eleitoral no Paraná começa a se desenhar rapidamente. Além dos dois já confirmados pré-candidatos ao governo no meio do ano, o ex-senador Osmar Dias (PDT) e o deputado estadual Ratinho Júnior (PSC), a vice-governadora Cida Borghetti (PP) também se desponta e com uma vantagem: pode estar no cargo almejado durante a disputa.

Isso porque o atual governador Beto Richa (PSDB) tem se ensaiado para disputar uma das duas vagas ao Senado, o que o obrigaria a renunciar ao mandato de governador em abril, deixando o comando da máquina estadual nas mãos de Cida.

Mas duas questões pesam na decisão de Beto. Enrolado até o pescoço nas operações Publicano e Quadro Negro, Beto só se livrou até agora das investigações devido ao foro privilegiado. Na Publicano, conseguiu uma liminar adiando a decisão para autorização das investigações. Na Quadro Negro, a PGR (Procuradoria-Geral da República) anda negociando delações premiadas que podem pôr sua cabeça a prêmio.

Ou seja. Se Beto Richa deixa o governo, perde a restrição de foro e pode ser investigado na esfera comum. E o Ministério Público do Paraná anda ávido para chegar a um dos barões citados no esquema de desvios de dinheiro da Secretaria Estadual de Educação, que teriam sido aplicados na campanha de 2014.

Fora do cargo de governador, Beto seria presa fácil para acelerar as investigações e, dependendo da vontade dos procuradores, o desdobramento dos casos poderia complicar sua vida política e até lhe custar a eleição ao Senado neste ano.

Ultimato

O outro senão diz respeito à sua vice-governadora. Nos corredores do Palácio Iguaçu, a conversa é de que Cida encurralou Beto Richa, deixando-o zonzo, sem saber qual é a melhor saída.

Bem ancorada por seu marido, o ministro Ricardo Barros (PP), Cida teria sido bem clara com o governador: ou ele declara e mantém seu apoio à candidatura de Cida, ou ela manda pra casa todo o staff montado por Beto e com o qual ele conta para ajudar na sua campanha. Isso incluiria secretariado, diretores, cargos comissionados e afins nomeados no governo paranaense.

A pressão de Cida tem justificativa. Beto Richa tem dito que, desde sempre, prometeu apoiar Ratinho numa eventual disputa ao governo. Esse acerto, inclusive, ficou claro na última campanha, na qual Ratinho já aparecia (muito) bem cotado para vencer a eleição a governador. Um acordo o fez recuar e disputar para deputado. Resultado: garantiu a maior votação da história da Assembleia Legislativa, com 300.928 votos.

E é por isso que agora Ratinho é candidatíssimo, tem aparecido na frente em todas as pesquisas e só um fenômeno extraordinário pode lhe tirar do páreo. E ele tem como certo o apoio de Beto Richa.

Como Beto anda de mal a pior com suas políticas de aumento tributário e corte de reajustes salariais, abrir mão de toda a estrutura de governo montada pelo grupo tucano é um risco difícil de se correr. Afinal, ele deve ter fortes oponentes, como o candidato à reeleição Roberto Requião (PMDB), o ex-vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), o deputado federal Gustavo Fruet (PDT) – que quase levou na última tentativa -, a deputada federal Christiane Yared (PR) – a mais votada do Paraná nas últimas eleições -, além da atual senadora Gleisi Hoffmann (PT). Ou seja, ele precisa da estrutura que construiu e o cercou nos últimos 11 anos.

Se mantiver o apoio a Ratinho, Cida promete “remodelar” a administração, garantindo sua própria estrutura, deixando os cabos eleitorais de Beto na rua.

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