Um em cada dois negócios fechados durante o 31º Show Rural tem o protagonismo feminino, seja para bater o martelo no momento da aquisição, seja nas decisões tomadas com o parceiro.

O protagonismo feminino tem aumentado em cada edição, avalia o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli: “Ela faz parte do processo na hora da compra. Se a esposa estiver com o marido na feira, ela vai participar ativamente na tomada de decisão”.

Janete Tales é um exemplo. Ela e as irmãs cuidam da fazenda. As cinco mulheres dividem os afazeres desde o momento do preparo da terra até a semeadura, os cuidados com a lavoura, a colheita e a comercialização. “No campo fazemos de tudo. No começo foi difícil, mas aprendemos tudo e estamos superando cada obstáculo. Vim à feira com o objetivo de comprar um trator”, conta.

Segundo a engenheira agrônoma Grasielle Silva, da New Holland, esse protagonismo feminino é latente e tem crescido no decorrer dos anos. Um aspecto tem sido curioso no momento da aquisição: quando a mulher está junto na hora da compra, as informações solicitadas são mais detalhadas e criteriosas.

A própria Grasielle é um exemplo. Engenheira agrônoma há dez anos, sentiu na pele as incertezas sobre sua capacidade com a lida no campo.

Assim como ela, as mulheres têm ocupado espaço cada vez maior em um ambiente ainda predominantemente masculino. “Hoje sinto menos esse receio. Quando comecei tinha 21 anos e me olhavam e queriam entender como uma ‘menina’ estava falando o que eles deveriam fazer na terra, sendo que por uma vida inteira as pessoas fizeram diferente. Hoje isso está superado”, avalia Grasielle, que faz questão de contar que opera máquinas e implementos agrícolas de médio e grande portes.