Amop cria força-tarefa, descarta lockdown e pede ajuda ao Estado

Além dos leitos, mais celeridade nos exames da covid-19 também será solicitada ao governo

Matelândia – Preocupados com o avanço rápido da pandemia na região, 37 dos 54 prefeitos que fazem parte da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná) se reuniram na tarde de ontem (17) por videoconferência e definiram a criação de uma força-tarefa para buscar com o governo do Estado a ampliação de leitos para tratamento de pacientes com covid-19. “A região oeste é a mais afetada pela covid-19 no Estado do Paraná e, por isso, precisamos também subsídio do governo do Estado. Estamos no limite de ocupação dos leitos e a doença vem avançando muito rapidamente. Precisamos montar uma força-tarefa, ir até Curitiba, conversar com o governador Ratinho Júnior para que tenhamos mais amparo para mais leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Os casos têm aumentado de forma rápida e nós não temos como cuidar da população do oeste com os leitos que estão disponíveis hoje”, afirmou o prefeito de Matelândia e presidente da Amop, Rineu Menoncin, o Texerinha.

Além dos leitos, mais celeridade nos exames da covid-19 também será solicitada ao governo. “A doença se espalha rápido, por isso precisamos que os exames também sejam ágeis, para que possamos ter uma noção real da situação e agir com base nesses dados”, acrescenta.

Lockdown descartado

Rineu afirma que um lockdown (fechamento total) regional está descartado. “Precisamos preservar as vidas e a economia. Tivemos quedas muito grandes na arrecadação, somente em Matelândia tivemos uma queda de 38%… tem municípios em situação ainda pior. Então precisamos unir forças para preservar as vidas e também evitar a falência dos municípios. Nós somos os mais afetados pela doença, mas também somos os que mais produzimos: o oeste é responsável por 27 a 30% da arrecadação de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Ao contrário de outras regiões, a nossa cadeia de produção, em especial a de proteína animal, não parou, pelo contrário, foi ainda mais fomentada nesse período”, exemplifica, e acrescenta: “É um momento de união entre os governantes, sem interesses políticos, sem brigas entre partidos, isso só deve ser resolvido depois que passarmos por essa situação”.

O líder municipalista classifica como “precipitada” a decisão de alguns municípios de decretar lockdown de forma isolada e afirmou que os prefeitos “compraram a briga” de enfrentamento da pandemia e devem se unir em busca do melhor para a região. Mas reforça que a população também precisa se conscientizar e seguir as medidas de segurança determinadas.

Outros municípios da região também adotaram novas medidas de enfrentamento da pandemia, a exemplo de Medianeira, que determinou uma espécie de rodízio no funcionamento dos estabelecimentos. As atividades consideradas essenciais devem funcionar apenas na parte da manhã e os não essenciais na parte da tarde, reduzindo, assim, o número de pessoas circulando ao mesmo tempo no Município.

Diálogo

O presidente da Amop, Rineu Menoncin, ressaltou que o melhor caminho neste momento é o diálogo e que, por isso, já há um pedido de agenda com o governador Ratinho Junior e o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, para os próximos dias, para que a situação da região possa ser exposta e um socorro negociado. “Já estamos em contato e nos próximos dias devemos organizar um grupo de cinco a seis prefeitos para ir à capital. Acredito que os prefeitos das cidades-polo, como Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu e mais alguns… Vamos unir forças e buscar essa atenção maior ao nosso povo”, complementou Rineu.

Unificação de medidas

O governador Carlos Massa Ratinho Junior reuniu-se ontem (17), em videoconferência, com prefeitos da RMC (Região Metropolitana de Curitiba) e ficou definido que o Estado irá publicar até sexta-feira (19) uma regra comum de horários e funcionamento de atividades de serviços, comércios e indústrias para todos os municípios da Grande Curitiba.

O decreto também irá definir o escalonamento de atividades e quais serão proibidas. O governo estuda, por exemplo, fechar os shoppings aos fins de semana, proibição de crianças menores de 12 anos em supermercados e de consumo de bebidas alcoólicas nas ruas após as 22h, bem como aglomerações em pátios de postos de combustíveis e parques.

“Esse é um problema comum e temos que pensar ele de forma coletiva e estratégica. É um trabalho pontual para a Região Metropolitana de Curitiba nesse momento, mas ele pode ser ampliado para outras regiões do Estado”, afirmou o governador.

A reportagem insistiu com assessores do governador e até da Sesa se já existe alguma previsão de incluir a região oeste nesse decreto, mas a resposta foi apenas que o decreto continua em aberto, as diretrizes sendo definidas e que tudo é possível.

Pico em agosto, diz estudo

As previsões sobre o pico da covid-19 no Paraná vão se atualizando e um estudo desenvolvido por cientistas de dados da Funcional Health Tech (plataforma independente de dados do setor de saúde), prevê que o pico da contaminação de covid-19 no Paraná será em agosto, mais precisamente no dia 21. “O dia é o que o estudo diz, mas podemos considerar o meio de agosto com os dados disponíveis até o dia 2 de junho”, explica o gerente de ciência de dados da empresa, Paulo Salem.

A Sesa (Secretaria de Saúde do Estado) evita projetar o pico da doença.

De acordo com a projeção, feita também para outros 24 estados e o DF (Roraima e Sergipe ficaram de fora por não terem todos os dados disponíveis), o Paraná seria o antepenúltimo a chegar ao pico da covid-19, antes apenas de Goiás e Maranhão, ambos previstos para 23 de agosto pelo modelo.

Em seu pico, o Paraná chegaria a 13.969 de contaminados ativos – o menor em todo o estudo. Atualmente o número de infectados é de 6.978. “Quanto mais longe o pico é empurrado para frente, menor ele deve ser. Essa é a dinâmica buscada para que o sistema de saúde suporte”, resume Salem.


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