Toledo – Uma solução paliativa e que era para ser temporária, mas que tem preocupado e desgastado dezenas de famílias em Toledo. Além das 12 crianças que deixam a cidade todos os dias em direção a Assis Chateaubriand para estudar, dezenas de outras pessoas surdas ficaram sem atendimento de referência com o fechamento da Apada (Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos) no fim do ano passado por problemas na prestação de contas e consequente perda de convênios.

As circunstâncias reais do fechamento da entidade criada em 27 de junho de 1987 ainda não foram completamente elucidadas, mas a falta de prestação de contas de cerca de R$ 15 mil conquistados por convênio com o Município de Toledo foram determinantes para que os recursos cessassem e que o caos financeiro em poucos meses provocasse atraso de salários, falta de materiais e então fechar as portas foi a única saída. Os funcionários tentaram ao limite, mas, sem salários, optaram pela demissão, além de famílias inteiras que pagam a conta sem saber ao certo o que aconteceu.

Acolhidos por uma escola de Assis Chateaubriand, os alunos seguem em um veículo da prefeitura cerca de 80 quilômetros para acessar o ensino. Marinalva Delfino leva o filho de 10 anos todos os dias até o ponto para que o menino siga viagem e tenha oportunidade de aulas adequadas para sua condição física. “É um martírio acordá-lo na madrugada para andar quilômetros e mandá-lo pra outra cidade, enfrentando o risco da estrada e a distância que sempre gera desconforto e muita preocupação”, conta a mãe.

O trajeto realizado pelos pais também interfere na rotina familiar, pois, assim como Marinalva, muitas outras mães não conseguem trabalho fixo por causa dos horários que precisam ficar à disposição para o embarque e o desembarque dos filhos. “Não tenho como manter a qualidade de vida dos meus filhos devido a essa situação. Uma pena que um assunto tão grave não seja tratado com a urgência que precisa”, desabafa.

Uma comissão foi constituída e realiza as tratativas com a prefeitura e recentemente uma comunicação foi enviada para o Ministério Público informando sobre as intenções de retomada dos atendimentos aos alunos. Sem um consenso, as famílias seguem em grande esforço para garantir o cumprimento de um dos mais fundamentais direitos contemplados na Constituição Brasileira e no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).