O deputado federal Alfredo Kaefer (PP) conclui neste ano seu terceiro mandato na Câmara em meio a várias conquistas mas com muitos desafios a serem vencidos. Desde sempre um convicto defensor de políticas desenvolvimentistas, ainda em 2006 alertou que a crise econômica abraçaria o País se as grandes reformas não fossem feitas e que o foco das políticas públicas deveria ser o desenvolvimento econômico. Em meio à sua intensa participação em diversas comissões (foram dezenas), Kaefer não perdeu de vista os municípios e apenas no último ano destinou mais de R$ 220 milhões para diversas cidades paranaenses, especialmente na área de saúde. Kaefer faz um rápido balanço do seu trabalho como parlamentar e lista os principais desafios para quem for eleito agora. Confira.

O Paraná – O senhor foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2006. Naquela época, o senhor imaginava que faria três mandatos seguidos?

Alfredo Kaefer – Na época, eu não pensava que iria disputar a reeleição, mas depois que você acaba se envolvendo, você cria compromissos. Hoje não estou indo para um novo mandato, até porque considero que isso não é um direito que me cabe, como um atributo, mas porque se tornou um dever… Isso porque quem tem a clareza das coisas, dos problemas da nação, tem discernimento sobre como muitos dos problemas podem ser resolvidos e tem competência e capacidade para isso, se considera habilitado, apto para participar do processo de transformação, das reformas e das mudanças, se vê no dever de trabalhar por isso. Tenho muito para participar e os desafios são grandes. E eu preciso – não que eu quero -, mas preciso participar nos próximos quatro anos do processo parlamentar para contribuir com as mudanças importantes que o País tanto necessita.

O Paraná – Na sua primeira eleição, em 2006, o senhor imaginava que faria três mandatos seguidos?

Kaefer – Logo que entrei, do primeiro para o segundo mandato, por algum tempo as pessoas não entendiam a lógica da minha atuação. Muitos começaram a entender essa lógica depois que viram a crise econômica abater o País, que deixou 14 milhões de desempregados, mais outro tanto contingente de autônomos à margem do trabalho.

O Paraná – Explica pra gente qual era essa atuação…

Kaefer – Eu dizia sempre que, se não atuássemos em defesa do desenvolvimento econômico, o prejuízo no âmbito social seria gigantesco e deu no que deu. Lá nos meus discursos em 2006 e na minha atuação na sequência, eu dizia “vai dar ruim”, porque o País não aguenta uma carga tributária de 35% do PIB (Produto Interno Bruto), não suporta juros extorsivos do jeito que tem se praticado, vai chegar uma hora que a pessoa para, não consegue pagar as contas e deixa de consumir. E então inicia o circulo vicioso, uma coisa bate na outra e deu no que deu. O desemprego, a falta de consumo, a falta de renda, e aí é uma retroalimentação que movimenta a economia e isso tudo aconteceu antes de dez anos como eu alertava, pois a partir de 2014 a crise se intensificou. As causas principais são o gigantismo do Estado, o engessamento, a burocracia, a carga tributária e os juros altos. Ou seja, um ambiente econômico totalmente desfavorável para empreendedores, para as empresas e para os negócios.

O Paraná – O senhor não encontrou respaldo?

Kaefer – Uma pequena parcela entendia isso. Mas os economistas que comandavam nossa economia dentro do governo sempre foram monetaristas, não foram desenvolvimentistas nem pró-setores produtivos. Achavam sempre que o combate à inflação era pelo tripé macroeconômico, câmbio flutuante, juros e superávit primário, que faz muito tempo que não acontece. Isso tem de ser revertido. Porque o foco no econômico bateu na crise do social. Só ver as carências gigantes que têm os municípios porque os repasses da União e dos estados caíram, e agora faltam saúde, infraestrutura, educação. No social, o principal, é ter emprego. Não adianta defender os trabalhadores se provoca o desemprego.

O Paraná – Isso quer dizer que o foco da sua atuação sempre foi o desenvolvimento econômico?

Kaefer – Sempre atuei na defesa do desenvolvimento econômico, porque é o que vai dar o reflexo na área social, mas não deixei de lado os municípios, e nesses anos todos trouxe muitos recursos para o Paraná. No último ano trouxe para o Paraná mais de R$ 220 milhões de recursos, especialmente para a saúde. Em Cascavel, por exemplo, apenas no último ano foram mais de R$ 22 milhões para a saúde, em ações que contemplam o futuro Hospital Municipal, cinco unidades básicas de saúde, a própria Uopeccan, instituição à qual tenho dado muita atenção devido à sua grande importância para toda a população.

O Paraná – Já que estamos falando em recursos, o senhor pode listar as principais ações no seu último mandato?

Kaefer – Destaco a atuação no Refis do Simples (também conhecido como Refis das MPEs – Micros e Pequenas Empresas), porque estavam em risco mais de 1,5 milhão de empregos naquele momento. Mais de 500 mil em empresas de pequeno porte deviam cerca de R$ 20 bilhões à União e contavam com esse Refis para poderem se regularizar e se manterem no Simples Nacional. Outra ação que considero especial foi a atuação pela manutenção das Apaes. Como eu era membro da comissão especial da PNE (Plano Nacional de Educação), trabalhamos para não fecharem as Apaes, porque a proposta era que os alunos das Apaes fossem levados para o ensino regular.

O Paraná – A três meses do fim do atual mandato, o senhor tem projetos ou desafios que espera vencer ainda neste ano como deputado?

Kaefer – Tenho sim. Temos muito trabalho até o fim do ano. Ainda neste ano quero aprovar o projeto que destina uma fração das loterias para as Apaes, o que vai aumentar em dez vezes o atual valor repassado. É algo pelo qual tenho trabalhado muito porque sei bem da importância das Apaes na vida de tanta gente. E ainda tenho como desafio neste mandato terminar o relatório e aprová-lo de um dos maiores projetos do Legislativo, que é o que regula todo o setor automotivo brasileiro através do Rota 2030, do qual sou relator. E também tenho me dedicado a ajudar à Uopeccan, que presta um serviço essencial que é o tratamento e o combate ao câncer. Por isso, um desafio enorme que assumi e estou trabalhando muito para conseguir vencê-lo é implantar em Cascavel a Central de Transplantes da Uopeccan. É um projeto de R$ 15 milhões que já está tramitando e que temos esperança de que ele será efetivado.

O Paraná – Quais são os principais desafios para quem for eleito neste ano?

Kaefer – Sem dúvida, as reformas que têm que ser feitas. Independente de quem for eleito presidente, o Congresso precisará agilizar essas reformas. Uma delas é a reforma tributária, reduzindo a quantidade, simplificando o sistema tributário e reduzindo a carga tributária. Vai caber ao Congresso conduzir isso. O Congresso tem que aprovar a reforma tributária, os impostos remanescentes que ficarem no novo modelo têm de ser de renda e de patrimônio, com uma redução drástica na tributação de consumo. Temos a reforma administrativa, com a eliminação de ministérios, de cargos, a redução do tamanho do Estado brasileiro. A reforma política, criando regras impositivas de tal forma que reduza esses 35 partidos para no máximo dez, de âmbito programático cada um deles. A reforma da Previdência é essencial para reduzir um déficit gigantesco que temos hoje e fazer justiça previdenciária, onde uma pequena parcela recebe a maioria dos benefícios de aposentadoria. Outra reforma importantíssima é do Judiciário. Temos Justiça Eleitoral, Trabalhista, Justiça Federal e comum, instâncias que poderiam ser abreviadas, que têm um custo 1,8% do PIB (cerca de R$ 110 bilhões por ano) que além de tudo é lento.

O Paraná – O Brasil sai da crise logo?

Kaefer – Se trabalharmos muito, se o ambiente econômico começar a ser modificado, temos como sair, sim. Acredito que conseguimos terminar o próximo governo com o reequilíbrio econômico.

O Paraná – Empresário do setor, o agronegócio também sempre foi uma das suas bandeiras e que agora vive um cenário de preocupação com a guerra comercial. O que é possível ser feito?

Kaefer – O grande desafio do agronegócio é a transformação de commodities em valor agregado. Defendo a volta do Reintegra, programa que recupera os impostos na cadeia dos exportadores, que vai ajudar a melhorar nossa performance de exportação, porque senão vamos continuar a ser exportadores de milho e soja em grão, quando podemos exportar frango, suínos, com maior valor agregado. A guerra do agronegócio entre os Estados Unidos e a China, se bem administrado por aqui, pode nos beneficiar.

O Paraná – O que pode e precisa ser feito nas áreas de educação e saúde?

Kaefer – O País precisa escolher prioridades e aplicar melhor seus recursos, deve otimizar seus recursos, como resolver a falta de creches, de estrutura nas escolas, muitas até hoje só têm a velha lousa e giz, investir nos professores, enfim, temos que atuar para redirecionar melhor os recursos da educação. Já na saúde, é urgente rediscutir o SUS. É preciso atualizar a tabela do SUS, não é possível o SUS pagar R$ 480 por um parto que custa R$ 1.500. Os hospitais estão quebrando, ninguém resiste a essa tabela, principalmente nas áreas de média e baixa complexidades, porque os hospitais internam casos de todos os tipos e precisam ser remunerados. Devemos pensar também em um plano básico para os trabalhadores, talvez colocar normas impositivas até no contrato de trabalho, porque, se a saúde é um dever do Estado e um direito do cidadão, tem que ter. Enfim, tenho trabalhado intensamente para melhorar e estruturar a saúde pública nos municípios. E também tenho me dedicado a ajudar à Uopeccan, que presta um serviço essencial que é o tratamento e o combate ao câncer. Por isso, um desafio enorme que assumi e estou trabalhando muito para conseguir vencê-lo é implantar em Cascavel a Central de Transplantes da Uopeccan. É um projeto de R$ 15 milhões que já está tramitando e que temos esperança de que ele será efetivado.

Perfil

Casado e pai de cinco filhos, Alfredo Kaefer (PP) é empresário, formado em Administração de Empresas e fundador do Grupo Diplomata. Completa agora seu terceiro mandato como deputado federal com forte atuação nas áreas de economia, finanças, tributação, desenvolvimento econômico, defensor da agricultura e do agronegócio.

 

“No social, o principal, é ter emprego. Não adianta defender os trabalhadores se provoca o desemprego”

“Um desafio enorme que assumi e estou trabalhando muito é implantar a Central de Transplantes da Uopeccan. É um projeto de R$ 15 milhões que já está tramitando”