Cascavel – Há cerca de um mês o campo vê a crise se acirrar. Após as perdas com a safra da soja, agora os produtores não estão conseguindo mais recursos para custeio da safrinha. O problema é que acabou o dinheiro destinado pelo governo federal para financiamentos de custeio da agricultura e da pecuária em todo o território nacional.

Relatos vindos de todas as regiões do Paraná dão conta que produtores têm ido às instituições financeiras, mas que estão voltando para casa de mãos abanando e com a incerteza de como deverão semear e cuidar das lavouras no inverno.

A alternativa seria buscar recursos em financiamentos convencionais em instituições privadas, o que se torna inviável devido às elevadas taxas de juros, avalia o economista Jeffrey Albers, do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná).

Ninguém sabe explicar ainda o que aconteceu com os R$ 194,37 bilhões previstos para o atual período agrícola que segue até junho deste ano, que acabaram quase meio ano antes de o ciclo se encerrar.

Entre as principais consequências desta falta de dinheiro está uma possível diminuição de área da safrinha. O Estado deveria colher ao menos 12,7 milhões de toneladas de milho, além de se consagrar como o maior produtor brasileiro de trigo, por exemplo.

Outro efeito causado pela falta de crédito é a redução de aplicação de tecnologia, o que promete puxar para baixo a produtividade e a produção, e assim o Estado somaria três safras consecutivas com perdas irreversíveis e danosas para o campo, considerando a de inverno de 2018, a safra de verão 2018/2019 e a que está por vir.

Queixas não param de chegar

Segundo o economista Jeffrey Albers, as queixas estão chegando cada vez com mais frequência dos sindicatos rurais por todo o Estado. O assunto vem sendo tratado com a CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil) e com o Ministério da Agricultura, que já teria sinalizado um estudo para realocação de recursos, mas ainda sem novidades. “Por enquanto não se tem o que indicar aos produtores, apenas pedimos que aguardem os desdobramentos governamentais. Não houve redução nos recursos, o que ocorreu foi um aumento dos recursos tomados emprestados na safra de verão”, reforçou.

O Ministério da Agricultura não informa se houve alguma condição atípica identificada, mas declarou que deverá ser liberado mais crédito para atender até o próximo plano safra e que, se os novos recursos não atenderem a todos, que ao menos possam contemplar pequenos e médios produtores.

A decisão deverá ser oficializada em reunião do Conselho Monetário Nacional ainda nesta semana, quando também serão definidos os valores.

“Quanto aos créditos para a safra 2019/2020, o Plano Agrícola e Pecuário deverá ser modernizado e os recursos deverão vir de diversas fontes, como de cooperativas, por exemplo”, adianta o Mapa, sem detalhar como isso deverá ocorrer nem qual será o custo dessa oferta.