Você é daqueles (ou conhece alguém) que pensa “e se der tudo certo?”, ou daquele grupo que se preocupa com tudo o tempo todo? Pois saiba que os primeiros estão “mais certos”, pois em 91,4% dos casos as preocupações simplesmente não se tornam realidade. Ou seja, as pessoas se preocupam a toa.

O achado é dos pesquisadores da Pennsylvania State University, nos Estados Unidos. Ao longo de dez dias, 29 participantes do estudo anotaram todas as preocupações que tiveram e, no mês seguinte, revisaram a lista para verificar o que, de fato, havia se concretizado.

Cada pessoa anotou entre três a quatro preocupações por dia, em média. Os pesquisadores se focaram em analisar apenas aquelas que eram verificáveis a curto prazo, como: “Acho que não vou passar na prova amanhã” e não em preocupações de longo prazo, como: “Tenho medo de desenvolver câncer em algum momento da vida”.

Nos resultados, a surpresa: 91,4% das preocupações foram à toa. Nos 9% dos casos em que a preocupação se materializou, o resultado foi melhor que o esperado em um terço das vezes. Tem mais: para 25% dos participantes, nenhuma preocupação se tornou verdade.

Todos os participantes têm o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizado, que se caracteriza por uma preocupação exacerbada, além de outros sintomas. Os resultados da pesquisa foram publicaram na revista científica Behaviour Therapy, em meados de 2020.

 

E agora?

Saber que a maioria das preocupações não passará de um medo pode ajudar algumas pessoas, segundo a médica psiquiatra Ana Paula Carvalho, mas não será uma “solução” para todo o mundo.

“Racionalmente, saber que as preocupações não se concretizam pode ajudar, mas não necessariamente, porque muitos pacientes com ansiedade já tentaram. Existem quadros de ansiedade em que o pensamento não vai embora, por mais que você tente substituir ou tente falar para si mesmo que não é nada daquilo. As reações físicas podem vir mesmo se a pessoa racionalizar”, explica a especialista, que é voluntária do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Com relação às pessoas não diagnosticadas com Transtorno de Ansiedade, saber que boa parte das preocupações será à toa pode, sim, acalmar e gerar uma reflexão. “Um exercício que as pessoas podem fazer é escrever quais são as preocupações que elas têm e, a partir daí, verificar quais são aquelas que elas têm algum controle”, sugere Carvalho.

A médica exemplifica: “Se a pessoa tem medo de ter diabete, ela pode tentar mudar a alimentação, fazer mais exercícios físicos, procurar um médico. Se ela tem medo de que possa acabar a água no mundo, ela pode participar de algum movimento, enquanto sociedade, mas sozinha ela não vai mudar. Então a pessoa pode focar a energia naquilo que ela tem controle.”