Política

2ª instância: Acordo tenta jogar prisão para 2020

Ontem (26) o assunto foi mais uma vez discutido entre os presidentes e os líderes das duas Casas legislativas, na residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Brasília – Quando estava praticamente fechado o acordo para unificar a proposta sobre prisão em segunda instância e deixar tudo para o ano que vem, a presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, senadora Simone Tebet (MDB-MS), favorável à mudança para projeto de lei, convenceu os senadores a só baterem o martelo depois que o compromisso de Rodrigo Maia – de apresentar um calendário de tramitação da proposta na próxima terça-feira (3) – seja cumprido. “Não podemos dar um cheque em branco para a Câmara”, disse a senadora.

Assim, fica pendente a definição do calendário pela Câmara dos Deputados sobre a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 199/2018) que pode disciplinar a prisão de réus condenados em segunda instância para que o Senado oficialize a desistência de tratar o tema por meio de projeto de lei.

Ontem (26) o assunto foi mais uma vez discutido entre os presidentes e os líderes das duas Casas legislativas, na residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

No encontro, que também contou com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, 12 dos 16 líderes do Senado concordaram em abrir mão do projeto de lei. Moro não quis tomar partido das propostas e disse apenas que a aprovação de uma norma é fundamental para combater a impunidade no País.

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse aos senadores que, por projeto de lei, a matéria não será aprovada pelos deputados.

Audiência pública

Segundo Simone, independentemente do acordo a ser feito na semana que vem, a CCJ fará uma audiência pública sobre o assunto na próxima quarta-feira (4). Além de Sergio Moro, os senadores devem ouvir juristas e o presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) sobre o assunto. A senadora disse ainda que, caso o acordo seja confirmado e não cumprido pelos deputados, nada impede que ela volte a pautar a discussão na CCJ.

Contrários

Na avaliação de senadores como Major Olímpio(PSL-SP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Alvaro Dias (Podemos-PR), Lasier Martins (Podemos-RS) e Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), o argumento defendido pelos deputados – de que um projeto de lei com sugestões de alterações no Código de Processo Penal poderia ter a constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal – não se sustenta. O grupo defende que o projeto de lei do Senado e a PEC proposta pela Câmara são complementares e não excludentes e que, por isso, deveriam tramitar simultaneamente.

“Não se diga que projeto [de lei do Senado] é tecnicamente inferior à PEC, porque não é. Nós fizemos essa avaliação no Senado, e quase todos concordaram que projeto é mais célere, mais eficiente e abrangente e, inclusive, reduz o espaço de interpretações divergentes que ocorrem ao sabor das conveniências, das circunstâncias e dos interesses pessoais”, declarou o senador Alvaro Dias.

Diferentemente da PEC, que exige votação em turnos nas duas casas e quórum qualificado, o projeto de lei poderia ser aprovado por maioria simples.

Para o senador Oriovisto, que abriu mão de avançar em uma proposta de emenda à Constituição, de autoria dele, para apoiar a mudança via projeto lei, só a pressão popular pode fazer a proposta avançar: “Se a população brasileira não se mobilizar, nunca mais haverá prisão em segunda instância no Brasil. A prisão em segunda instância está indo para as calendas [adiar solução para data distante], e isso vai continuar sendo o paraíso da impunidade”, disse.