
O avanço das casas de apostas físicas, conhecidas como betshops, recolocou o tema dos jogos de azar no centro do debate público no Brasil. Com o lançamento dessas operações no Paraná, autorizadas e fiscalizadas pelo governo estadual, surgiram comparações apressadas com “mini-cassinos”.
De um lado, o Estado defende um modelo controlado, com terminais, caixa e identificação obrigatória do apostador, enquanto de outro, críticos questionam os limites entre apostas legais e a reintrodução gradual do jogo presencial.
Esse movimento estadual funciona como gancho para uma discussão maior sobre a possível legalização nacional de cassinos físicos nos próximos anos. Em Brasília, o tema é tratado como pauta de médio prazo, associada a tecnologia regulatória já disponível, geração de empregos e ampliação da base tributária.
O que são betshops e como funcionam no Paraná
As Casas de apostas, também chamadas de betshops no Paraná, são pontos de venda físicos licenciados pelo governo onde é possível fazer apostas esportivas e jogos de loteria legalmente, com terminais presenciais, caixa/KYC (identificação do apostador) e sem jogos de estilo cassino ou caça-níqueis tradicionais.
Elas operam com autorização estatal, exigem conformidade regulatória e oferecem uma alternativa regulamentada aos canais ilegais que floresciam no passado.
A Lottopar, autarquia responsável pela regulamentação de loterias e apostas no estado, autorizou algumas das primeiras apostas presenciais e virtuais que obedecem às regras de licenciamento estadual.
No entanto, críticos no debate público compararam esses estabelecimentos a “mini-cassinos”, dada a aparência e experiência de jogos eletrônicos, apesar de não oferecerem jogos de azar no modelo tradicional de cassino.
Enquanto os betshops se consolidam como alternativa física para os apostadores, cresce o interesse por experiências digitais mais completas, como as oferecidas por plataformas de cassinos online, que vêm se tornando tendência no mercado nacional. Aposta é assunto para adultos.
Cassinos físicos? O debate da liberação até 2026
O governo federal tem discutido, no âmbito do projeto de lei que trata da regulamentação dos “jogos de azar”, a possibilidade de permitir resorts integrados com cassinos. Portanto, a ideia é unir complexos turísticos que contam com hotelaria e entretenimento aos cassinos sob supervisão regulatória clara.
O ministro do Turismo sinalizou que, uma vez aprovado o projeto, a intenção seria ter pelo menos um resort com cassino em cada estado, atraindo investimentos de bilhões de reais e colocando o Brasil em pé de igualdade com mercados consolidados na América Latina e nos EUA.
Além disso, estimativas do governo sugerem que empreendimentos desse tipo poderiam gerar diversos empregos diretos e indiretos, impulsionando o turismo e a economia local.
Antes da proibição: a era dos cassinos no Paraná
O Brasil já teve um período em que cassinos faziam parte da paisagem econômica, mas isso durou até 1946, quando foram proibidos por decreto-lei durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, sob argumentos morais e sociais.
Nessa época, o país tinha dezenas de cassinos empregando milhares de pessoas e gerando movimento econômico em cidades de destaque.
No Paraná, embora não tão icônicos quanto no Rio de Janeiro, existiram atividades de jogo e lazer associadas à cultura local e ao turismo que hoje evocam o debate sobre um retorno regulamentado, mas desta vez dentro de estruturas modernas e fiscalizadas.
Próximos passos: marcos legais, locais e operadores
Nos próximos meses, o foco estará na tramitação do projeto de lei no Congresso Nacional que trata da regulamentação dos jogos de azar e autoriza a operação de cassinos integrados a resorts.
A Câmara dos Deputados já aprovou um decreto sobre o tema, mas o Senado ainda não conseguiu votar a pauta, desde 2024, o país fica na expectativa.
Paralelamente, cresce a expectativa em torno da definição das regras estaduais e federais, que deverão estabelecer critérios claros de licenciamento, exigências técnicas, obrigações tributárias e mecanismos de controle para os futuros operadores.
Também entram em cena as disputas políticas e econômicas fora do plenário, com governos estaduais, municípios turísticos, consórcios de investidores e entidades do setor de turismo, articulando para influenciar o desenho final do marco regulatório e posicionando os seus territórios como candidatos prioritários aos primeiros projetos.
Por fim, o mercado observa atentamente o compromisso político e o cronograma realista do governo federal, já que, mesmo com a aprovação da lei, a implantação de cassinos físicos dependerá de regulamentações complementares, o que torna plausível, mas não garantida, a estreia dos primeiros empreendimentos no Brasil em 2026.
