Toledo – O presidente do Conselho de Ética da Câmara de Vereadores de Toledo, que também é o relator da Notícia 03/2019, vereador Marcos Zanetti, leu ontem (28) durante reunião seu parecer de admissibilidade pela instauração do processamento de representação contra o vereador Antônio Sérgio de Freitas, o Zóio, que é o presidente daquela Casa de Leis.

A notificação foi protocolada pelo presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Toledo, Primo Momoli, e trata de duas situações. Uma delas diz respeito “à forma pejorativa, preconceituosa e discriminatória” que Zóio usou para se referir a Momoli em uma entrevista de rádio no dia 18 deste mês em uma emissora local. O vereador chamou Primo, que é deficiente físico, de “mamão mole”.

O outro ponto listado pelo presidente da Associação na denúncia diz repeito à quebra do decoro parlamentar. Zóio votou contra um requerimento que solicitava que as sessões fossem acompanhadas por um intérprete de Libras (linguagem de sinais), mas na entrevista ele disse ter sido favorável ao projeto.

“Perseguição”

O presidente da Câmara de Toledo disse à reportagem do Jornal O Paraná que tudo não passa de “perseguição política”. Ele se defende, dizendo que, durante a entrevista à rádio, confundiu-se e entendeu que se referia a outro aspecto que estava sendo votado e que dizia respeito à contratação de um software.

Quanto a chamar Primo de “mamão mole”, Zóio diz que “todo o mundo conhece Primo na cidade por esse apelido e que, na prefeitura e na Câmara, todos se referem a ele dessa forma”.

Para ele, essa é uma “maneira carinhosa” que encontrou para falar do presidente da Associação, e que está convencido de que não errou ao chamá-lo assim.

O vereador tem 21 dias para apresentar defesa e então o processo segue para o parecer final e a votação, que pode resultar até na perda de seu mandato.

“Vagabundo”

Mas o nome do presidente da Câmara de Vereadores de Toledo acabou se envolvendo em mais uma polêmica. Desta vez, com o próprio presidente do Conselho de Ética, vereador Marcos Zanetti.

Marcos disse que na última terça-feira recebeu uma ligação do vereador Leoclides Bisognin, que é um dos membros da Comissão de Ética da Câmara. Contudo, a ligação parecia ter sido sem querer. Segundo Marcos, pelo telefone, ouvia conversa entre Bisognin e Zóio, na qual “traçavam uma estratégia para a defesa de Zóio na Comissão de Ética e de uma outra situação, desta vez envolvendo o vereador Ademar Dorfschmidt, de uma situação registrada ainda em 2012”.

Marcos não desligou. Pelo contrário, fez questão de ouvir os quase 15 minutos de conversa e se surpreendeu ao ser chamado de “vagabundo” por Zóio. Agora, ele também vai entrar com uma representação contra o presidente do Legislativo no Conselho de Ética.

Ele também sugeriu que Bisognin se declare impedido de votar nesses dois processos – o de Zóio e de Ademar -, “por estar conversando com uma das partes para traçar uma linha de defesa”.

Para comprovar o diálogo, Zanetti pedirá a quebra do sigilo do seu telefone.

O vereador Zóio disse que vai aguardar a representação e conversar com seu advogado para então se defender, mas disse que não se lembrava ter chamado Marcos de vagabundo durante sua conversa com o outro vereador.

Assista a reunião do Conselho de Ética da Câmara de Toledo: