Um abraço gigante

Whelisson Affonso dos Santos Nascimento: 24/11/1998 Falecimento: 10/02/2020

Whelisson Affonso dos Santos era um menino do sorriso largo e contagiante. Adorava café com leite e panetone. Trabalhava como técnico de informática e tinha muitos sonhos, um deles era concluir a graduação de engenharia elétrica que cursava havia um ano.

Desde criança, Whelisson enchia seus pais de alegria. Era trabalhador, amoroso e responsável, características que o fazia diferente. “Ele era muito afetivo, muito mesmo, desde pequeno. Muitas vezes escondia os problemas para não me deixar triste, porque queria sempre me ver feliz”, conta a mãe, Roseli Affonso.

Com 1,85 metro de altura, Whelisson tinha um “abraço gigante”: “Eu sempre falava que gostava de abraçá-lo, pois eu podia sentir seu coração bater… eu cabia bem certinho no coração dele”.

Whelisson era um lutador desde antes de nascer. A demora no parto quase lhe custou a vida. Whelisson veio ao mundo quase sem oxigênio e foi levado às pressas para a UTI. Os médicos não deram muita esperança. Só restava esperar.

Mas quando chegou aos braços da mãe, Whelisson já estava corado e cheio de vida e Roseli teve certeza de que o bebê era um presente de Deus: “Deus só o emprestou para eu cuidar por Ele e agora o meu presente voltou para casa”.

Roseli conta que Whelisson transformou tudo ao seu redor. “Ele nos ensinou a ser uma família. Seu jeito mudou a nossa vida, nossa maneira de pensar, até a maneira de conversar… Aprendemos muito com ele. Pedia bênção, dizia ‘eu te amo’, abraçava demais o pai dele…”

E acrescenta: “Ele era um menino que tinha muito amor no coração. Tirava de si para dar para os outros”.

Paixão pelo Fusca Azul

Como muitos garotos, Whelisson dos Santos era apaixonado por carros, especialmente Fusca, e por isso tinha um azul, todo original. Sua mãe, Roseli, chamava o carro de “neto”.

“Ele entrava nesse Fusca e ficava superfeliz, era a paixão dele. E dizia ‘Mãe, amo passar em frente às escolas porque aquela piazada se soqueia e eu saio rindo’”, referindo-se à famosa brincadeira do fusquinha azul. “Ele podia estar com o problema que fosse, triste, bastava entrar no Fusca e a alegria vinha”.

Durante a semana, o Fusca ficava na casa da avó. Whelisson só o pegava nos fins de semana. Porém, na última semana o rapaz quis ficar com ele o tempo todo.

O irmão caçula, Guilherme, pediu para ficar com o Fusca. “O irmão só pediu um favor: ‘Deixa o Fusca do Whelisson para mim? Porque ele falava que era meu e dele. Eu não sei dirigir, mas deixa o Fusca para mim”.

Uma chuva de tristeza

Roseli dos Santos lembra que nos últimos dias as coisas estavam diferentes em casa. Tudo estava em paz, as conversas e as brincadeiras entre a família eram ainda mais intensas, como se Deus estivesse preparando tudo. “Nós fizemos muitas coisas juntos, conversamos muito, porque eu acho que era para deixar uma história para eu lembrar. Não ficou nada pendente entre mim e ele, nem com o pai nem com o irmão…”

“Estava chovendo, ouvi um barulho e saí na porta… para mim, aquela chuva era diferente, parecia uma chuva de tristeza, e não entendia por quê. Não sabia o que tinha acontecido. Até que meu interfone tocou e recebi a noticia pelos patrões dele. Meu mundo desabou”, relata a mãe.

A despedida

No dia 10 de fevereiro, quando voltava de uma viagem de trabalho, Whelisson sofreu um grave acidente. Chovia muito, seu carro aquaplanou, ele perdeu o controle da direção, invadiu a pista contrária e atingiu um caminhão. Ele não sobreviveu.

No cemitério, consumida pela dor, Roseli dos Santos deixou uma mensagem aos amigos do filho: “Eu não deixei de pedir, mesmo com meu coração em pedaços, que os filhos valorizem seus pais e que os pais valorizem seus filhos. Que cada minuto de vida é uma importância de amar, de respeitar, de pedir bênção. O que aconteceu com o meu filho serve de exemplo para as pessoas darem valor à vida”.

 

 



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