Trânsito: é hora de retroceder?

Por Carla Hachmann

Quando foi lançado, em 1997, o Código de Trânsito Brasileiro trazia regras “assustadoras” e que fez muitos motoristas voltarem a estudar. Usar cinto de segurança? Jamais! Essa e outras medidas que “nunca” seriam cumpridas hoje fazem parte da rotina da maioria dos condutores e nem se questionam mais.

Ao longo do tempo outras normas foram sendo implantadas. Também causavam aquela reação imediata, como a Lei Seca, e aos poucos eram assimiladas.

Para punir o motorista além da multa, foi criado sistema de pontos. Ao chegar a 20, perdia o direito de dirigir até que passasse por uma reciclagem. Chiadeira geral. Todos fazem e não morrem por causa disso.

No fim do século passado, o trânsito era uma arma muito mais mortal que muitos conflitos civis. Até hoje é. Foi preciso rigor para que os números recuassem. Foi preciso quebrar cada resistência, vencer cada polêmica.

Nesses mais de 20 anos uma nova geração surgiu já com essas regras incutidas. Claro que não é suficiente, mas ajuda.

O que justificaria hoje retroceder nessas leis, que acabaram aceitas e conseguiram impor alguns limites essenciais?

A proposta de flexibilizar as regras, dobrando o limite de pontos para suspender a habilitação, e facilitar o retorno ao direito de dirigir, que deve ser apresentada entre hoje e amanhã suscita uma questão: por quê?

Afinal, o único beneficiado com isso será o infrator, o irresponsável. Os prejudicados serão todos aqueles que estarão dividindo as ruas com esse condutor que prefere não seguir as leis de trânsito. Mexer nisso agora pode ter consequências que levaremos de novo décadas para serem sanadas.

 

 

 

 



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