Foz do Iguaçu – O drama na tríplice fronteira parece aumentar a cada dia nesta quarentena. Com as fronteiras terrestres fechadas, caminhoneiros sofrem com o excesso de fiscalização por parte do governo paraguaio. Cansados de reclamar e pedir ajuda sem sucesso, a deflagração de uma greve dos transportadores tornou-se iminente.

O presidente do Sindifoz (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Foz do Iguaçu-PR e região), Celso Antonio Gallegario, alerta para a postura do país vizinho em dificultar o trânsito dos caminhoneiros, enquanto do lado brasileiro o trabalho é feito no sentido de agilizar a liberação. “O Paraguai segue cometendo excesso na fiscalização de veículos de carga com destino à exportação. Na tarde dessa segunda-feira [17], estamos com a aduana brasileira lotada e mais 1.200 senhas distribuídas para os veículos destinados ao Paraguai, que aguardam em pátio de empresas e/ou postos de combustível, isso por causa dessa demora do país vizinho, que antes era só na liberação dos caminhões para retornar ao Brasil, mas agora inverteu um pouco, pois o maior trânsito está na ida ao Paraguai… na vinda continua lento, porém, após a intervenção do Ministério da Infraestrutura, melhorou bem, embora não como deveria, pois ainda seguem assaltando os caminheiros que aguardam na fila. Em contrapartida, o Brasil faz justamente ao contrário, até mesmo criando uma operação noturna para recepcionar as cargas oriundas do Paraguai com destino ao Brasil”, ressalta.

Segundo ele, o sentimento de descontentamento e injustiça cresce e a greve é quase inevitável. “Levando em conta que o Paraguai está travando o ingresso dos produtos brasileiros, está demorando até dez dias para que um veículo faça uma viagem… a situação já está saindo do controle e, desta vez, não conseguiremos conter a greve dos caminhoneiros. Pedimos encarecidamente ajuda ao Ministério de Infraestrutura, bem como ao Ministério das Relações Exteriores para que nos auxiliem na intervenção com o Paraguai a fim de evitar a greve”, ressalta Gallegario.

O presidente do Codefoz (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Foz do Iguaçu), Mario Camargo, que acompanha a dificuldade enfrentada pelos transportadores, lamenta o descaso das autoridades paraguaias com a situação. “Não estamos vendo outra solução que não a paralisação total das transportadoras… a situação saiu do controle e parece que as autoridades paraguaias não estão preocupadas com o que acontece na fronteira… é lamentável”.

Ele ressalta que a greve pode ser iniciada a qualquer momento e alerta que o impacto será sentido nos dois lados da fronteira.

Alternativa

Para o presidente do Sindifoz, a aduana paraguaia poderia amenizar o problema com a utilização de um porto maior. “O que agrava o cenário é a Aduana não querer utilizar seus maiores portos para que sejam recepcionados esses veículos… no lado paraguaio existem duas aduanas enormes e com capacidade para recepcionar, juntas, mais de 3.000 veículos de carga, porém, permanecem fazendo uso de uma aduana antiga e precária que fica na cabeceira da ponte em Cidade do Leste”, lamenta Gallegario.