No esporte, na maioria das vezes, é comum vermos a busca pela perfeição, pelo menor tempo e levar o corpo ao extremo para conseguir as vitórias e o reconhecimento do público. Entretanto, na fase regional da 65ª edição dos Jeps (Jogos Escolares do Paraná), sediados em Cafelândia, durante as provas de atletismo para os atletas com deficiência (ACD), realizadas no Complexo Esportivo Ciro Nardi, em Cascavel, a alegria, a solidariedade e a inclusão foram os pontos principais.

A competição envolveu as Escolas Especiais Valéria Meneghel, de Cascavel; Novo Horizonte, de Corbélia; e Elenice Correa, de Guaraniaçu. Segundo o coordenador dos JEPS em Cafelândia, Rui Cocco, a mudança de cidade aconteceu porque o município sede não oferecia a estrutura necessária para acolher a modalidade. Ao todo, aproximadamente 70 ACD’s participaram das disputas.

As disputas foram pelas provas de salto em distância, corridas e arremesso de peso, sempre carregadas de cooperação e cumplicidade entre os atletas adversários, o que fez com que o momento se tornasse aprendizado para quem esteve presente. Sempre felizes e prontos a apoiar os mais limitados, os jovens e adultos ofertavam aos que ali estavam momentos de aprendizado e lições para a vida.

Sempre com sorriso no rosto

“Aqui eles se sentem mais a vontade”, disse a mãe do corredor Erik Gustavo de Oliveira, da EE Valéria Meneghel, Cleide de Oliveira. Segundo ela, ainda existe muito preconceito em relação à condição do seu filho e das pessoas com deficiência. Sem tirar em nenhum momento o sorriso do rosto, Erik correu, venceu e subiu ao lugar mais alto do pódio para receber sua medalha de ouro.

Um prêmio mais que merecido para quem, além de vencer as limitações de uma pessoa com deficiência, seja ela física ou intelectual, precisa encarar também os obstáculos impostos pela sociedade. “A sociedade ainda faz muitos julgamentos. Nos locais públicos as pessoas olham com diferença para quem não é igual”, comentou. Além da mãe, Erik contou ainda com a torcida do pai, dos irmãos e dos colegas da escola.

A história do Erik se misturou com muitas outras durante as disputas. Cada qual com sua condição. O que não diferenciava era a alegria ao subir no pódio, ao cruzar a linha de chegada, ao dar o máximo no salto, ou lançar o mais longe possível o peso. Os pequenos lances eram comemorados como recordes mundiais e quem estava presente os aplaudia como tal.