Cascavel – Pré-candidato ao governo do Paraná, o deputado estadual Ratinho Júnior (PSD) participou de encontro com empresários em Cascavel na noite de ontem. Ele foi o primeiro a ser sabatinado pela Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel), com espaço para apresentar suas principais propostas de governo e responder a alguns questionamentos dos empresários.

Antes, Ratinho comentou sobre as denúncias envolvendo um de seus postulantes a vice-candidato, Edson Campagnolo (PRB), que estaria sendo investigado pela Polícia Civil por malversação dos recursos da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), cujo orçamento ultrapassa os R$ 500 milhões ano. Um dossiê sobre o caso circula nos meios políticos do Paraná e aliados de Ratinho defendem mudança de foco. “Campagnolo tem sido um grande parceiro nessa jornada na contorção do plano de governo, no quesito industrial. Precisamos levar a industrialização ao interior, que ficou concentrada em Curitiba. É natural na vida pública tudo virar foco; reviram a vida e inventam coisas. Acredito na idoneidade de Campagnolo, que é um grande técnico”, diz Ratinho.

Sem descartar o presidente licenciado da Fiep, Ratinho tem reforçado a presença de Marcel Micheletto (PSDB), que deixou a Prefeitura de Assis Chateaubriand e a presidência da AMP (Associação dos Municípios do Paraná) para ficar disponível para a coligação. No entanto, Marcel também vem enfrentando uma série de denúncias, que agora viraram inquérito civil no Ministério Público da cidade onde foi prefeito – desde fraude em licitação até prática de improbidade administrativa.

Outros nomes sugeridos para compor com Ratinho são Norberto Ortigara, ex-secretário de Agricultura, e Darci Piana, presidente licenciado do Sistema Fecomércio.

Governo Beto

Em 1º janeiro de 2015, Ratinho abriu mão do cargo de deputado estadual para atuar como secretário do Desenvolvimento Urbano de Beto Richa – político o qual não recebe uma crítica sequer de Ratinho, inclusive quando o assunto é a continuidade do contrato de pedágio no Paraná.

O pré-candidato defende a duplicação da BR-277 e novos modelos de contrato de concessão das rodovias a partir de 2021. “Esse modelo de contrato deu errado e não podemos errar novamente. O Estado deve ser o grande responsável por essa concessão, com uma licitação internacional, trazendo fundos de investimentos de todos os países. Fazendo esse modelo, acabamos com o conluio”, disse Ratinho que aos empresários da região, e confirmou a necessidade de cobrar investimentos na assinatura do contrato. “As obras devem ser executadas assim que houver assinatura. Ficamos 20 anos esperando as obras, feitas no fim da concessão”.

Ratinho defende ainda a redução de 50% das tarifas e que, em vez de outorga de concessão, o recurso seja investido em obras.

Gargalos

A duplicação da BR-277 é, sem dúvida, uma das grandes cobranças da região oeste, mas os empresários de Cascavel reforçaram ao pré-candidato a necessidade de intervenção no Trevo Cataratas. O pré-candidato propôs uma parceria, utilizando o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) das empresas beneficiadas com a obra. “Vamos destinar parte do orçamento para trocar por ICMS. Dessa maneira conseguimos fazer de uma maneira rápida, destinando o tributo. Isso é possível, a lei permite, e investiremos no Trevo Cataratas”.

Ilha vendida

Ratinho pretende enxugar os gastos públicos: reduzir as 28 secretárias para 15 e vender a Ilha das Cobras, em Paranaguá, mantida há 30 anos pelo governo do Paraná e que serve apenas como pousada aos governadores eleitos. “Essas regalias monárquicas têm que acabar. Vamos fazer um governo ousado, sem ser irresponsável. Acabar com as mordomias”.

Privatização

Ratinho não vai poupar as estatais: entre elas Copel e Compagás. “É necessário a Copel mudar o foco: nos últimos anos fez investimentos fora do Paraná, enquanto isso estamos com linhas de transmissões ultrapassadas. Nossa ideia é vender os ativos fora do Estado e trazer o dinheiro dentro da Copel para cuidarmos do Paraná”, diz Ratinho.

Sobre outras privatizações, o pré-candidato garante serem necessárias: “Tem que se desfazer de alguns ativos que dão prejuízo ou não têm necessidade de investir. A Compagás tem três sócias: é uma empresa importante, mas não precisa ter o percentual que tem: vendendo os ativos, podemos reverter em dinheiro do caixa”.