Mesmo com manifestação intensa de servidores municipais, a maioria dos vereadores aprovou ontem o projeto que extingue o cargo de zeladores na rede municipal de educação.

Pouco depois da decisão do Legislativo, o prefeito Leonaldo Paranhos (PSC) se pronunciou publicamente e disse que não pretende recuar, classificando o ato como uma ação político-partidária de um grupo que não representa a categoria. “Em todas as reuniões é desse jeito, sem conversa. Vamos negociar com os 800 servidores que querem conversar. Vou chamar para uma reunião [após a aprovação em segunda votação, hoje] os vereadores que votaram com consciência. Essa [o protesto] é uma ação política e rasteira. Estamos garantindo todos os direitos, não haverá perdas. Não vamos negociar com quem faz ameaças”, disse o prefeito.

A declaração ocorreu sob muitas vaias e palavras de ordem gritadas pelos servidores: “Retira o projeto!”, “Somos trabalhadores”, “Greve!”

Paranhos foi taxativo e responsabilizou os próprios servidores pela greve aprovada para começar na próxima segunda-feira (19) na rede pública de ensino, paralisando o serviço de zeladoria. “Fecharemos as escolas. Eles [os zeladores] responderão aos pais. Precisamos concluir o ano letivo. A responsabilidade será deles. Estamos administrando com eficiência, mas não é possível negociar com quem não quer negociar. Esse pessoal quer briga”, disse Paranhos. Após o desgaste público, o prefeito anunciou aos servidores: “Acabou, acabou… vamos trabalhar!” e voltou ao gabinete.

A votação

A categoria lotou o plenário e se alternava entre vaias e aplausos. “Se fecharem os Cmeis [Centros Municipais de Educação Infantil], será uma mancha irrecuperável à atual gestão”, disse Paulo Porto (PCdoB) sobre ação antecipada semana passada pela Secretaria de Educação devido à falta de zeladores.

Foram 12 votos favoráveis e oito contrários. Dentre os defensores, esteve Alécio Espínola (PSC): “Precisamos da aprovação do projeto para que seja reposto o quadro de servidores”, defendeu em plenário com reação imediata do público munido de faixas.

Em agosto, uma empresa terceirizada que mantinha 200 servidores faliu e o contrato foi encerrado, reduzindo o quadro. Como poucos aprovados em concurso assumem as vagas, a prefeitura decidiu terceirizar o serviço, mas, para isso, deve extinguir o cargo de zelador na Educação.

Hoje o projeto vai a segunda votação, quando os vereadores poderão apenas apresentar emendas.

Votaram a favor:

Alécio Espínola, Celso Dal Molin, Damasceno Jr, Fernando Hallberg, Rafael Brugnerotto, Josué de Souza, Mauro Seibert, Mazutti, Misael Junior, Parra, Romulo Quintino e Valdecir Alcântara.

Votaram contra:

Aldonir Cabral, Carlinhos Oliveira, Bocasanta, Olavo Santos, Paulo Porto, Pedro Sampaio, Policial Madril e Serginho Ribeiro.

 

Greve e Justiça

O Sismuvel (Sindicato dos Servidores Municipais de Cascavel) declarou que entrará na Justiça contra a extinção dos cargos e anunciou greve geral da categoria a partir de segunda-feira de 800 servidores, entre eles zeladores, manutenção e serviços gerais.

“As declarações do prefeito são mentirosas de que foram mantidos os benefícios acordados. Romulo [Quintino, vereador] e o [Edson] Zorek, [secretário de Planejamento e Gestão] me ligaram dizendo da retirada dos benefícios”, diz Ricieri D’Stefani Júnior, presidente do Sismuvel.

O acordo ocorreu há uma semana quando o Município aceitou aumentar o salário das zeladoras em 6,8% – passando de R$ 954 para R$ 1.030 – mais abono salarial de R$ 170 para equiparar os rendimentos com a iniciativa privada. Porém, a proposta foi retirada após pedido de vistas do projeto pelo vereador Paulo Porto (PCdoB), segunda-feira passada.