A Polícia Federal acaba de instaurar inquéritos para apurar indícios de crimes eleitorais praticados por candidatos que concorreram nas eleições no último dia 7 de outubro.

Os processos estão todos em fase inicial e apuram o cometimento de crimes como a distribuição indiscriminada e irregular de santinhos em locais próximos a pontos de votação, prática identificada em várias regiões da cidade de Cascavel no dia do pleito, há casos onde foram encontradas evidências de compra de votos e outras ações irregulares associadas. No total, teriam sido identificadas pelo menos dez irregularidades.

As investigações têm como base documentos apreendidos, situações apuradas antes, durante e após o pleito, denúncias e até detenções realizadas em flagrante.

Entre os investigados está o do deputado federal reeleito Fernando Giacobo (PR), que fez 111.384 votos. Vale destacar que todo inquérito eleitoral é aberto a partir de solicitação da Justiça Eleitoral e, no caso de Giacobo, que tem prerrogativa de função, ou seja, foro privilegiado, o pedido é enviado ao Supremo Tribunal Federal, que pode ratificar ou não a abertura das investigações.

Entre outros candidatos há ainda o nome de Gugu Bueno, que concorreu como deputado estadual também pelo PR e fez 21.574 votos. Gugu está na lista de suplentes. Ele é vereador em Cascavel e atual presidente da Câmara. O deputado estadual André Bueno (PSDB) que fez 26.955 votos e não se reelegeu também tem inquérito instaurado contra ele.

Ainda de acordo com o apurado pela reportagem, após as diligências serem concluídas na região, os processos que não precisam ser enviados ao STF e onde ficarem evidenciadas as irregularidades deverão ser encaminhados ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Se os crimes forem confirmados, os suspeitos deverão responder por prática fraudulenta e correm o risco de terem o mandato cassado, no caso daqueles que o detiverem. A condenação também implica na perda dos direitos políticos.

 

Outro lado

A reportagem procurou o deputado federal Fernando Giacobo. Por telefone, ele disse não estar sabendo de nada e que não poderia se manifestar justamente por não ter conhecimento de um processo em curso. Afirmou, inclusive, que havia procurado as forças policiais e que lhe foi informado que nada havia em seu nome.

Gugu Bueno disse que também não tem conhecimento: “E se houver algo, provavelmente deve ser denúncia de algum adversário, o que infelizmente é normal nas eleições. Mas tenho certeza absoluta de que o inquérito irá apontar que não houve nenhuma irregularidade em nossa campainha”, afirmou.

A assessoria do deputado estadual André Bueno também afirmou que não foi notificada sobre denúncia. “Não temos conhecimento sobre esse assunto”, destacou.

As investigações atingem ainda outros nomes que participaram das últimas eleições e que não foram revelados.