Cascavel – O Deral (Departamento de Economia Rural) divulgou ontem (22) os dados atualizados em relação as culturas de soja e de milho, números que são bastante alarmantes, o que já era esperado devido a severa estiagem que está tirando o sono dos produtores de Cascavel, do Oeste e de todo o Paraná. Na região de Cascavel, a queda de produtividade do milho já soma 32% e da soja pelo menos 12%, o que representa cerca de R$ 1,7 bilhão se somadas as duas culturas.

De acordo com o economista do Deral em Curitiba, Marcelo Garrido, fazendo um cálculo por sacas, um hectare de milho que tinha a expectativa inicial de produzir 150 sacas já caiu para 90 sacas, e de soja de 66 para 46 sacas, isso em Cascavel. A queda é maior em comparação ao geral do Estado, que aponta perda um pouco menor, no milho de 159 para 141 sacas e da soja de 62 para 54.

O Deral também divulgou dados atualizados da área plantada de milho desta primeira safra em Cascavel que é de 23.665 hectares, do total de 434.815 de todo o Estado. De soja a região tem em solo 515.197 hectares plantados dos 5.643.086 de todo o Paraná.

Segundo o economista do Deral, a perda maior na região de Cascavel e de toda a região Oeste, se deve a antecipação do plantio no campo. “Os produtores de Cascavel e de Toledo iniciaram o plantio assim que terminou o vazio sanitário no começo de setembro e o restante do Estado um mês depois, em meados de outubro, o que muda totalmente os cenários”, explicou.

A data de plantio também reflete o estágio da planta em solo, o que piora ainda o cenário, já que tanto a soja quanto o milho estão em fase de floração, o período mais crítico das culturas e que mais necessitam de chuva. A falta de chuva é um problema que ocorre desde o ano passado e que castiga a cidade, além do campo.

 

Paraná

Em todo o Estado, inicialmente, esperava-se um volume superior a 21 milhões de toneladas de soja. Com a reavaliação dos técnicos, a expectativa passou para 18,4 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 12%. Na comparação com o volume colhido no ciclo 2020/21, a queda é de 7%. A área de plantio está estimada em 5,6 milhões de hectares, semelhante à da safra anterior.

Assim como a soja, as lavouras de milho da primeira safra 2021/22 também foram afetadas pelas altas temperaturas e falta de chuvas no Paraná. O relatório de dezembro aponta para a produção de 3,7 milhões de toneladas, 551 mil toneladas a menos do que se esperava inicialmente, já que, em condições normais, o volume poderia chegar a 4,2 milhões de toneladas.

 

Decreto de emergência

A Prefeitura de Cascavel divulgou ontem que o decreto que foi publicado ainda em agosto deste ano, justamente por conta da estiagem, pode ser utilizado pelos produtores rurais. A reportagem do Jornal O Paraná de ontem (22) divulgou que o Sindicato Rural de Cascavel solicitou ao prefeito a assinatura de um decreto, para que os produtores rurais consigam renegociar seus compromissos sem comprometer sua capacidade financeira, pleito que já estaria atendido com o decreto de agosto.

 

PR tem expectativa de colher 22,54 milhões de toneladas

 

Segundo o relatório do Deral as estimativas para a safra de grãos no Paraná, aponta que o estado pode colher 22,54 milhões de toneladas em uma área de 6,24 milhões de hectares. O volume representa uma redução de 3% com relação à safra de verão 2020/2021, e a área é 2% maior.

Além da soja e do milho, o feijão também sofre com o impacto da estiagem que afetou as lavouras nos últimos meses e apresentam, respectivamente, reduções de 12%, 13% e 10% na expectativa de produção com relação ao esperado no início do ciclo.
De acordo com o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, este ano está sendo bastante desafiador. “Tivemos uma profunda crise hídrica e geadas severas que provocaram perdas na nossa produção”, disse.

 

Feijão

O plantio da primeira safra de feijão está encerrado no Paraná, e 11% da área estimada em 139,5 mil hectares foi colhida até o momento. O volume de produção deve chegar a 247,4 mil toneladas, redução de 10% com relação à estimativa inicial, que era de 275,8 mil toneladas, e de 4% com relação ao volume da safra 20/21.

O clima adverso das últimas semanas reduziu o percentual de lavouras em boas condições. Atualmente, cerca de 59% da área plantada apresenta boas condições, 35% tem condições médias e 6% condições ruins.

As altas temperaturas e a falta de umidade prejudicam as lavouras em grande parte do estado e foram determinantes para o impacto negativo nas estimativas do Deral.