Outubro Rosa evidencia desigualdades

Por Carla Hachmann

O Brasil é um dos países na ponta de cima da tabela no quesito pesquisas e tratamentos inovadores no combate ao câncer. Cascavel, por exemplo, tem dois centros de referência no tratamento, inclusive pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com equipamentos modernos e especialistas renomados.

A adoção de cores nos meses tem incentivado ações a determinadas áreas. O Outubro Rosa é hoje o mais conhecido, embora ainda não seja unânime no País. Neste mês, palestras e ações destacam a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, um dos mais incidentes nas mulheres, e ainda com alto grau de letalidade.

Se de um lado a campanha incentiva, de outro revela o quanto ainda é preciso avançar no assunto. Especialmente em estrutura. A nova estratégia de USF, na qual boa parte dos atendimentos é triada por enfermeiros e técnicos de enfermagem, aumenta o tempo entre o exame e o diagnóstico do médico e o consequente início do tratamento. Nesses casos, a espera de dias pode significar o sucesso ou o fracasso na luta contra o câncer. Sem exagero!

Outro problema é a disponibilidade da mamografia e, principalmente, da ultrassonografia – que deveria ser complemento obrigatório aos exames de prevenção ao câncer de mama. Em algumas cidades maiores, a oferta de mamografias atende a demanda, mas ainda há muitas regiões desprovidas do equipamento e da oferta pública.

E isso ainda conflita com a própria falta de informação da população. Estudo do Inca (Instituto Nacional de Câncer) revela que menos da metade das mulheres sem instrução faz a mamografia; percentual que fica a menos de 30% no Norte do País.

É preciso pensar em estratégias para alcançar todo esse público. Afinal, a campanha garante: quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de cura.

 



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