A silvicultura brasileira é tratada como referência mundial. O conhecimento sobre as espécies pertencentes aos gêneros Eucalyptus e Pinus mais plantadas no País são resposta da evolução de anos de pesquisas nas áreas de melhoramento genético, do emprego de métodos silviculturais e de manejo mais adequados às florestas de produção. Entretanto, essas espécies são exóticas, ou seja, originárias de outros países.

A flora brasileira é muito rica, logo possui alta diversidade de plantas. Porém, as espécies nativas, desde a descoberta do Brasil, sempre foram utilizadas de forma exploratória, sem a mínima conscientização. Isso resultou em um processo de alta pressão de seleção sobre os melhores indivíduos, logo, diminuímos com o passar dos anos a qualidade genética das espécies alvo desses desmatamentos.

Plantios comerciais que possuíam destaque antes da aplicação da silvicultura de nativas atual são baseados em espécies que fizeram parte dos ciclos exploratórios presentes ao longo da história brasileira. Essas espécies sempre possuíram demanda, pois a procura era decorrente dos produtos comerciais de interesse como a seringueira para produção de borracha, o pinheiro do Paraná para madeira sólida e produção de frutos, a erva-mate com a finalidade de utilizar as folhas para infusões (chá, chimarrão e tereré), entre outras que se destacaram. Porém, a soma de todas as espécies não representa nem 3% da área plantada total do País voltada à produção florestal.

Desde o fim da década de 90, diversas instituições de pesquisa e ensino voltaram parte dos estudos para a criação e o desenvolvimento da silvicultura de espécies nativas, focada no uso das espécies que possuímos. Para isso, foi necessário realizar o resgate de materiais genéticos de várias espécies prioritárias principalmente para a recuperação de áreas degradadas, produção integrada em sistemas agroflorestais, conservação da natureza através de corredores ecológicos a fim de manter o fluxo gênico constante para aumentar a variabilidade genética das espécies nativas.

O processo de determinação de uma espécie, depende da qualidade e finalidade da madeira e/ou dos produtos florestais não madeireiros (PFNMs) que apresenta. Após a escolha, é necessário recorrer as áreas em que existam remanescentes florestais, ou seja florestas nativas para resgatar materiais genéticos de qualidade de cada espécie escolhida. Essas áreasgeralmente são unidades de conservação, reservas particulares e com a flexibilidade do novo Código Florestal, áreas de APP e RL.

A coleta de sementes ocorre em no mínimo 25 indivíduos por espécie, esses indivíduos são denominados matrizes, que devem estar distantes no mínimo a 100 – 150 metros uma planta da outra e o número mínimo de matrizes determinado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O processo de resgate genético desses materiais nativos, valorizam os produtos provenientesde seu uso, além de permitirem a perpetuação das espécies com interação gênica desses materiais, colaborando assim para a retomada da evolução genética. Consequentemente indivíduos que apresentem as melhores características para as finalidades comerciais desejadas são selecionadas para compor os programas de melhoramento genético e silvicultura de espécies nativas.

Pedro Henrique Riboldi Monteiro é doutor em Engenharia Florestal, associado da Aefos/PR – [email protected]