Por Heloísa Tamires Rodrigues Cano Vasconcelos; Isabela Gualdi Furuya Matiussi; Jaqueline Ribeiro Guimarães, Marçal Rogério Rizzo e Alana Regina Sousa de Menezes

 

O teatro compõe um dos setores da economia criativa. Na produção de um espetáculo, há geração de empregos e de renda. A peça teatral é a forma mais antiga, duradoura e verdadeira de manifestação que o homem utiliza para simbolizar a arte, por meio de variadas expressões e gêneros (o trágico, o dramático, o cômico, o musical, a dança…).

O teatro é uma vertente cultural e social vasta, que compreende ações que respondam a uma visão de desenvolvimento da comunidade por meio da arte. É, também, uma forma de recriar a ligação entre arte e o real. Por bem dizer, o teatro não é veículo de expressão meramente pessoal. Ele é, também, coletivo – ainda que parta da pessoalidade que, inclusive, saliente-se, é partida e não chegada.

No teatro, o jogo é, também e, sobretudo, um jogo de “espírito”, ou seja, uma possibilidade de construir relações de convivência segundo uma ordem de humanidade que transcende do lado puramente individual, para recriar o “espírito” do homem. “Fazer teatro” é uma prática tanto eficaz para o desenvolvimento de representar através do estudo das relações humanas e sua complexidade.

O teatro é um excelente instrumento para promover mudanças nas relações sociais e na transformação da comunidade. Contudo, o teatro só acontece se ocorrer uma estruturação que defina o como e o onde serão os eixos do trabalho a ser realizado de maneira participativa e concreta. Promover parcerias com escolas, trabalhando a interação, desenvolvendo a linguagem, as expressões e potencialidades teatrais dos alunos pode ser um dos caminhos traçados.

A finalidade da realização de projetos de teatro na comunidade é transformar o meio em que a comunidade vive e contribuir na construção da identidade pessoal, melhorando a qualidade da relação com o outro redescobrindo uma dimensão integrada de corpo, imaginação, emoção e pensamentos, tanto aos indivíduos quanto ao coletivo.

Sobretudo, quando se trabalha com grupos e pessoas que vivem uma condição de exclusão social, o teatro esculpe o reconhecimento social, por meio da criatividade artística no trabalho com a diversidade, contribuindo para que as experiências de vida negativas sejam transformadas positivamente.

O teatro abre novas janelas para o mundo, sua prática desenvolve enormes potencialidades nas pessoas e nas comunidades. Nessa perspectiva se desenvolvem outras visões e outros olhares, com muitos degrades: a dimensão lúdica, a dimensão ritual, a prática comunicativa, a dimensão artística e a relação estética, as referências culturais e arquetípicas às estruturas narrativas, o desenvolvimento dos grupos e das pessoas, a corporeidade, o movimento, a relação, a comunidade.

É preciso que se saiba que oferecer incentivos aos projetos sociais que trabalham com teatro e que estejam voltados principalmente a crianças e adolescentes, envolvendo-os em atividades culturais pode proporcionar uma mudança de vida. Pois é óbvio que o teatro pode se tornar uma importante ferramenta na construção de um cidadão melhor.

Mais do que isso: pode, factualmente, mudar os rumos e retratar a sociedade de maneiras inesquecíveis, lendo com precisão as mazelas humanas, como fizeram Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Shakespeare e tantos outros leitores natos da alma humana pelo teatro.

Heloísa Tamires Rodrigues Cano Vasconcelos; Isabela Gualdi Furuya Matiussi e Jaqueline Ribeiro Guimarães: acadêmicas do curso de Administração da UFMS – Câmpus de Três Lagoas/MS; Marçal Rogério Rizzo: economista e docente na UFMS – Câmpus de Três Lagoas/MS; Alana Regina Sousa de Menezes: educadora social, mestra em Estudos Literários pela UFMS – Câmpus de Três Lagoas/MS