Novo acordo com UE poderá render cifras bilionárias ao Paraná

O tratado precisa ser aprovado nos parlamento dos quatro países do Mercosul e das 28 nações da UE

Palotina – O acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve criar condições positivas ao agronegócio paranaense. A agricultura e a pecuária do Estado terão acesso mais fácil a um mercado que conta com 500 milhões de consumidores e perspectivas bilionárias.

As tarifas de importação serão zeradas em dez anos e 92% dos produtos hoje exportados pelo Mercosul à UE serão beneficiados. O tratado precisa ser aprovado nos parlamento dos quatro países do Mercosul e das 28 nações da UE.

“Sempre estivemos prontos para atender mercados mais exigentes, mas antes havia barreiras burocráticas típicas do comércio. Com o acordo, tudo deve se tornar mais viável”, define o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette.

O acordo envolve um universo de 780 milhões de consumidores e países que somam um PIB (Produto Interno Bruno) de US$ 20 trilhões. “Ou seja, 25% do PIB mundial. A perspectiva é de que nos próximos 15 anos o fluxo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia alcance R$ 1 trilhão”, destaca o economista da Faep Luiz Eliezer Ferreira.

Oportunidades

Quanto à carne de frango, o acordo abre a possibilidade para que o Mercosul exporte, com tarifa zero, até 180 mil toneladas por ano à UE. Em 2018, mesmo com alíquota de 20%, o Paraná embarcou 100 mil toneladas ao bloco.

Quanto à carne bovina, cada tonelada enviada pelo Paraná à UE foi negociada, em média, US$ 1 mil acima do que foi para a China, indicando interesse europeu em cortes nobres e de maior valor agregado. “Os europeus querem uma carne macia, de animais jovens. Essa qualidade é bem remunerada”, aponta o especializado em carnes nobres Rodolpho Botelho, que preside a Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da Faep.

Já a tilápia deve ter as tarifas zeradas de 4 a 10 anos. Maior produtor desse pescado no Brasil, o Paraná atingiu 123 mil toneladas em 2018.

A C.Vale, com sede em Palotina, tem a meta de ampliar o número de abates de 80 mil para 90 mil tilápias/dia. Apesar da cautela – já que o acordo ainda precisa sair do papel -, o presidente Alfredo Lang aponta que o tratado vai abrir mercado: “Temos planos de aumentar a produção gradativamente. A velocidade com que faremos dependerá das condições do mercado e do interesse dos produtores em investir”.

Lácteos e vinhos

Outros produtos como a pecuária leiteira e a vinicultura terão que se reorganizar. Com tradição na produção de lácteos e de vinhos e com altos subsídios governamentais, os países da UE tendem a ser mais competitivos, o que pode favorecer a entrada maciça dos produtos no Mercosul. Para o presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite, Ronei Volpi, o setor lácteo brasileiro terá de investir em qualidade, principalmente nos próximos dois anos.

“Se não estivermos preparados para competir de igual para igual, teremos aí uma ameaça bastante preocupante”, ressalta.

Volpi vislumbra que o tratado pode implicar em oportunidade para o setor. As principais indústrias europeias têm filiais no Paraná. Ele acredita que a produção paranaense poderia se destinar a essas empresas, que voltariam à comercialização dos processados ao mercado internacional.

Recuperar mercado

Em 1997, mais da metade do que o agronegócio do Brasil comercializava internacionalmente tinha os europeus como destino. No ano passado, essa participação foi de apenas 15%.

No agronegócio do Paraná o movimento foi semelhante. O volume à UE caiu de 7 milhões para 3,2 milhões de toneladas (-54%) e o faturamento de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,9 bilhão. “Do valor das exportações brasileiras para a UE, o Paraná chegou a responder por 22%, mas foi caindo, muito em função do crescimento de outros mercados”, observa o economista da Faep Luiz Eliezer Ferreira.

“Além do poder aquisitivo, é um bloco que tem maiores exigências sanitárias e burocráticas. Vender para a UE seria como ter um selo, que, certamente, tornaria outros mercados mais facilmente acessíveis aos nossos produtos”, diz o diretor-executivo da Frimesa, Elias Zydek.

O acordo deve facilitar a importação de tecnologia podendo catapultar a modernização do campo às indústrias. “Importamos máquinas com 40% de tributos. O acordo facilitaria o custo e traria condições para que se implante conceitos como ‘Agricultura 4.0’, tecnologia embarcada e bioengenharia”, aponta Zydek.

 

 



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