Curitiba – O juiz federal Sérgio Moro afirmou nessa terça-feira que assumir o superministério da Justiça “não é um projeto de poder, é um projeto de tentar fazer a coisa certa”. O magistrado da Operação Lava Jato aceitou assumir a pasta no Governo Jair Bolsonaro (PSL).

“A ideia aqui não é um projeto de poder, mas sim um projeto de fazer a coisa certa num nível mais elevado, em uma posição que se possa realmente fazer a diferença e se afastar de vez a sombra desses retrocessos”, afirmou Moro, em entrevista na sede da Justiça Federal do Paraná.

Na abertura da entrevista, Moro fez uma longa explanação sobre os motivos que o levaram a dizer “sim” ao convite de Bolsonaro e rechaçou suspeitas levantadas pelo PT de que teria agido para favorecer a candidatura Bolsonaro. “Isso não tem nada a ver (…) O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado e preso, porque ele cometeu um crime e não por causa das eleições”.

O juiz afirmou ainda que “políticos de vários espectros” foram condenados na Lava Jato e citou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB) e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB). O magistrado emendou: “Não posso pautar a minha vida com base numa fantasia, com álibi falso de perseguição política”.

O futuro superministro da Justiça disse que pretende criar forças-tarefas ao estilo da Lava Jato para combater o crime organizado em todo o País. O magistrado afirmou que pretende “avançar na pauta do enfrentamento não apenas à corrupção como ao crime organizado”.

Moro embarca nesta quarta-feira para compromissos no escritório de transição e no Ministério da Segurança Pública em Brasília. Será a primeira viagem à capital federal como futuro ministro da Justiça. A equipe de transição iniciou oficialmente os trabalhos na segunda-feira (5).