Curitiba – A Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) vai liderar uma mobilização para reunir o setor produtivo do Estado em torno de um projeto que tem o objetivo de reduzir o chamado Custo Brasil. A proposta de formação de uma coalizão estadual para contribuir com propostas para melhorar o ambiente de negócios nacional e local foi apresentada essa semana em Curitiba, pelo secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, Jorge Lima.

O encontro, realizado no Campus da Indústria e transmitido por videoconferência, reuniu presidentes de sindicatos e líderes do setor industrial de todo o Paraná. “O Custo Brasil é um componente vital na formação do preço do produto industrializado”, afirmou o presidente da Fiep, Carlos Valter Martins Pedro.

Jorge Lima destacou que o projeto, desenvolvido em uma parceria entre o ministério e o MBC (Movimento Brasil Competitivo), inicialmente calculou que os custos indiretos e as ineficiências do ambiente de negócios fazem com que a economia do País perca R$ 1,5 trilhão ao ano, o que corresponde a 22% do PIB (Produto Interno Bruto). Esse é o valor que o setor produtivo brasileiro desembolsa a mais para exercer suas atividades, quando comparado com as condições das empresas nos países que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Em seguida, com participação de diversas entidades empresariais parceiras, incluindo a Fiep, foram elencadas 1.174 proposições em diversas áreas, com 847 delas tendo impacto mensurável sobre esse custo. “Falamos sempre em potencial redução do Custo Brasil. Tem medidas que vamos fazer hoje e o reflexo dela é amanhã. Tem medidas que vão ser ao longo dos anos, como a Lei do Saneamento, que vai dar resultado em 10 anos, ou a Lei do Gás, em 7 anos. O grande problema é que, se a gente não começar agora, nós não começamos nunca”, disse o secretário.

Segundo ele, já foram implantadas medidas – diretamente pelo Executivo e pela aprovação de projetos no Congresso –  que já têm potencial para reduzir em R$ 280 bilhões o Custo Brasil. A expectativa é que, até março do próximo ano, possa-se chegar a aproximadamente R$ 1 trilhão com medidas ainda em análise e discussão.

 

Coalizões estaduais

Para que a melhoria do ambiente de negócios não se restrinja ao cenário nacional, atendendo também às necessidades de cada região, o ministério tem utilizado como estratégia a formação de coalizões estaduais. “É um engano achar que nós temos 27 estados, nós temos 27 países. São completamente diferentes e preciso que todo o setor produtivo do País participe”, disse o secretário. “São as lideranças locais, por estado, que têm condições de explicar ao seu deputado federal ou senador os projetos, além de demandar as propostas que são importantes para elas”, completou.