Curitiba – O ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação Maurício Fanini detalhou como teria feito três repasses em dinheiro vivo que somaram R$ 1,1 milhão desviado da construção e da reforma de escolas estaduais do Paraná.

Segundo o depoimento, o dinheiro teria sido recebido pelo empresário Jorge Atherino, apontado como “operador” e “sócio” do ex-governador Beto Richa (PSDB). Fanini afirmou que manteve um apartamento exclusivamente para guardar dinheiro e repassar propina a intermediários do então governador.

O depoimento foi prestado a promotores do Ministério Público do Paraná em maio no âmbito de um inquérito civil decorrente da Operação Quadro Negro – e que terminou com Beto e outras 12 pessoas denunciados por improbidade administrativa.

Fanini era uma das principais engrenagens do esquema de corrupção. Na oitiva, o ex-diretor disse que em 2014 – já na campanha eleitoral – Richa teria o orientado a prestar contas das propinas arrecadadas a Ezequias Moreira, secretário de Cerimonial e homem de confiança do ex-governador. A partir de então, Fanini teria passado e entregar o dinheiro desviado a Atherino – que seria um “pablo” (que é como o grupo chamava os encarregados de receber propina) indicado por Moreira.

Segundo o depoimento, em julho de 2014 Fanini teria entregado R$ 500 mil em espécie em uma mochila em um apartamento desocupado que mantinha especificamente para guardar dinheiro do esquema e repassar propina.

“O seu Jorge [Atherino] chegou e se mostrou bastante nervoso e um pouco tenso. Ele me pergunta: ‘Tá aqui o dinheiro?’. Eu respondo: ‘Tá, tá tudo certo’”, contou Fanini. Após receber, Atherino não queria sair “com esse negócio na rua”. De acordo com o relato, os dois desceram até a garagem, embarcaram no carro de Fanini, que levou o empresário até seu próprio automóvel. “Ele desce comigo, saio no carro e entrego ele. Ele estava com um carro, era um Tiguan, que me chamou a atenção porque não era um carro de entregador de pizza ou algo assim. Passei a entender que a relação com ele era um pouco diferente”, disse o ex-diretor.

Gilmar Mendes mantém decisão

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), recusou argumentos de recursos da Procuradoria-Geral da República e do Ministério Público do Paraná e manteve a decisão que tirou da prisão o ex-governador Beto Richa (PSDB). Por outro lado, Mendes negou estender o habeas corpus a outros seis presos que o procuraram para obter o mesmo benefício concedido ao tucano. Os presos alegam que as prisões são conduções coercitivas disfarçadas. Os advogados do ex-governador e outros entraram com o recurso baseado na “inconstitucionalidade da condução coercitiva de investigado”, em ação que era relatada por Gilmar.

Beto Richa foi preso em 11 de setembro na Operação Radiopatrulha a pedido do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). A operação investiga fraudes em programa de manutenção de estradas rurais no Paraná.