Produção de agroecológicos tem potencial para crescer 30% ao ano no Brasil. As vantagens e desafios do setor serão discutidos até sexta-feira (9) no 3º Paraná Agroecológico. Evento reúne 500 pessoas no Cineteatro dos Barrageiros, na Itaipu.

A produção agroecológica, sem o uso de agrotóxicos e utilizando de forma sustentável a água e o solo, tem potencial para crescer cerca de 30% ao ano no Brasil, mas ainda enfrenta desafios. Entre eles, a resistência dos próprios produtores à dispensa do uso de pesticidas e a necessidade de ampliar o escoamento e a disponibilidade ao consumidor.

Para tratar sobre esses e outros assuntos relacionados ao tema, cerca de 500 pessoas participam até sexta-feira (9) do 3º Paraná Agroecológico, no Cineteatro dos Barrageiros, nas dependências da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR). A empresa apoia a iniciativa.

Aberto na noite de segunda-feira (5), o evento realizado pela primeira vez em Foz do Iguaçu discute a potencialidade da agroecologia como fonte de renda e os entraves a este tipo produção, que pode ser uma alternativa viável de renda ao agricultor. O encontro reúne produtores, empresários, estudantes e técnicos do setor. O debate sobre a agroecologia está presente em dezenas de palestras, oficinas temáticas, mesas-redondas, apresentações de trabalhos e rodas de diálogo.

Segundo Ronaldo Juliano Pavlak, do Programa Desenvolvimento Rural Sustentável da Itaipu, o objetivo do evento é justamente estreitar o vínculo entre produtor e consumidor, mostrando os benefícios da agroecologia (segurança alimentar, ambiental, econômica e qualidade de vida).

“Produtos cultivados com o uso de agrotóxico podem causar doenças, enquanto os agroecológicos e os orgânicos podem evitá-las e ajudam a combatê-las”, disse o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva, ao justificar o apoio da binacional à agroecologia na Região Oeste durante a solenidade. “Itaipu investe na produção sustentável e tem uma equipe exclusiva para desenvolver e acompanhar programas nessa área. Não se trata de modismo”, completou o superintendente, que representou o diretor de Coordenação, Newton Kaminski.

Ariel Scheffer também reforçou o apoio da binacional ao escoamento da produção agroecológica. Segundo ele, é preciso “ganhar escala”. “A questão é um nó que precisa ser desatado.”

Para o diretor-superintendente de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Richard Golba, “existe um mercado faminto por alimentos saudáveis”. “A nossa dificuldade tem sido colocar o produto ao alcance do consumidor. Temos os produtos e os consumidores, mas falta a conexão”, completou.

“São produtos que deveriam estar presentes em todas as mesas brasileiras, mas que ainda enfrentam barreiras”, colaborou Marcos Vilas Boas Pescador, delegado federal da Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead).

Por sua vez, Florindo Dalberto, presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Adapar), disse que a agricultura preservacionista vem sendo debatida há bastante tempo, mas ainda há pouca motivação por parte dos produtores. “Temos mais de 350 mil estabelecimentos rurais no Paraná e apenas 2 mil não utilizam agrotóxicos. Temos muito a crescer.”

Na região Oeste do Paraná, Itaipu tem atuado para ampliar a comercialização dos produtos agroecológicos, com o estímulo à venda em feiras, galpões, entre outros. Um exemplo é a construção do Mercado Municipal de Foz do Iguaçu, espaço que terá uma área destinada às vendas de produtos orgânicos e agroecológicos. Em setembro, a Itaipu assinou a ordem de serviço para a segunda fase das obras do mercado.

Integração pela agroecologia

O Paraná Agroecológico é um evento promovido por 23 instituições ligadas à agricultura e ao meio ambiente. Por ser tão ampla, a programação foi dividida em cinco eixos – pesquisa, organização dos agricultores e consumidores, formação e capacitação, comercialização e legislação. São cinco diferentes eventos: o 1º Seminário Estadual de Homeopatia; 1º Encontro de Agricultores Agroecológicos da Tríplice Fronteira; 3º Seminário Paranaense de Educação em Agroecologia; 3º Congresso Paranaense de Agroecologia; 5º Seminário “Paraná Mais Orgânico”.

A Itaipu

Com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada, a Itaipu Binacional é líder mundial na geração de energia limpa e renovável, tendo produzido, desde 1984, mais de 2,5 bilhões de MWh. Em 2016, a usina brasileira e paraguaia retomou o recorde mundial anual de geração de energia, com a marca de 103.098.366 MWh. Em 2017, a hidrelétrica foi responsável pelo abastecimento de 15% de toda a energia consumida pelo Brasil e de 86,4% do Paraguai.