Em causa própria?

Por Carla Hachmann

A corrupção é um dos crimes mais nefasto e vil que podem ser cometidos no meio social. O dinheiro público roubado faz falta na saúde, na educação e na segurança, e muitas vezes representa a fome que milhares sentem diariamente e as vidas que são perdidas por falta do serviço público eficiente. Em outras palavras, a corrupção mata. E mata muitos de maneira bastante cruel.

Nem sempre o corrupto pensa assim. Talvez por não ter acesso ao cidadão que deixou de ser atendido não entenda (ou não quer entender) as consequências do seu crime.

Corrupção é um crime hediondo e deveria ser assim tratado por todos. Sem perdão. E com a devolução de todo o valor roubado.

Um dos principais alicerces do pacote anticrime do ministro Sergio Moro, glorificado no País pelo seu trabalho à frente da Lava Jato, é justamente o endurecimento aos crimes de corrupção.

Surpresa então quando o grupo de trabalho na Câmara dos Deputados que analisa esse pacote retira do relatório final a previsão para que quem comete crime de corrupção ativa ou passiva tenha que iniciar o cumprimento da pena obrigatoriamente no regime fechado.

Ou seja, pode passar a mão na cabecinha de quem roubar dinheiro público que continuará respondendo em liberdade os infinitos recursos que a Justiça concede a quem tem condições de pagar bons advogados e, muito provavelmente, ficará livre da cadeia, curtindo o fruto do roubo.

A regra deveria ser a tolerância zero para a corrupção. Não existe argumento ou qualquer razão lógica para defender o contrário. Só assim é possível manter a esperança de que um dia ela deixe de ser institucionalizada, perca algumas das suas raízes e, quem sabe, poderemos sonhar com uma nação desenvolvida.

 

 

 



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