O Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio em 2016, uma média de 31 casos por dia. Os dados são do último boletim epidemiológico divulgado ontem pelo Ministério da Saúde que, apesar do aumento de 2,3% em relação ao ano anterior, afirma: esse número é apenas 20% do que realmente acontece.

Isso porque o suicídio ainda é um assunto cercado de tabu. À imprensa é recomendado não divulgar os casos, às famílias o assunto é tratado como “pecado”. Enquanto isso, as pessoas tiram a vida porque não sabem a quem recorrer.

Ninguém se mata porque não quer mais viver. Apenas tenta se livrar da dor. Mas que dor é essa? É preciso ouvir, aprender, entender e ajudar.

Diante do crescimento dos casos mesmo que subnotificados, foi criado há pouco tempo o Setembro Amarelo, mês em que são divulgados os diversos meios de ajuda e se tenta orientar sobre as causas que possam levar uma pessoa a atentar contra a própria vida.

Para se ter uma ideia, essa é apenas a segunda vez que o Ministério da Saúde “ousa” divulgar os dados. Em 2017, o boletim apontava para 11.178 casos no País. Mais uma tentativa de trazer o assunto à tona para salvar vidas.

A maioria das pessoas foi criada sob a crença de que suicídio é pecado, que a alma iria para o “purgatório” e que a família cairia em desgraça. Diante disso, casos foram sufocados e muita gente morreu sem qualquer tipo de ajuda e ainda foi condenada por isso.

Hoje, suicídio é tratado como problema de saúde pública em todo o mundo. E, aos poucos, os tabus vão sendo retirados para que se discuta as causas de frente e se busquem alternativas para ajudar quem acredita que a única solução é parar de viver. Ainda há muito a evoluir. Mas o primeiro passo está dado.