Quem viveu os anos de inflação no Brasil bem sabe como era difícil resistir a uma comprinha a prazo. A reorganização financeira exigida a partir do Plano Real, em 1994, com a estabilidade financeira, fez muita gente perceber o quanto de dinheiro jogou fora durante sua vida. Ainda hoje a mania de parcelar resiste, seja no quase extinto crediário, no cheque ou no (mais comum) cartão de crédito, e a maioria dos consumidores não sabe fazer a conta de quanto está perdendo – ou ganhando – com as prestações a perder de vista.

Esclarecer essa informação é justamente um dos focos da Semana Nacional de Educação Financeira, organizada pelo Conef (Comitê Nacional de Educação Financeira), em todo o País e que se estende até este domingo.

Em muitas cidades, inclusive no oeste do Paraná, as ações têm como foco a alta carga tributária embutida nos produtos e serviços. Em outras, o destaque vai para os juros “escondidos” em cima das mercadorias parceladas ou até mesmo os engodos de muitas promoções.

Além do gatilho para o consumo desenfreado, comprar um carro zero quilômetro sem entrada, por exemplo, inclui outras despesas que o consumidor nem sempre leva em conta, como IPVA e seguro, alerta a entidade.

Ainda hoje essa relação de consumo e com o próprio dinheiro é alvo de alguns tabus. Em muitas economias de primeiro mundo, as crianças têm aulas de economia e finanças como disciplina obrigatória. No Brasil, quando muito, elas administram a mesada, que acaba gasta em guloseimas após a saída da escola.

A ideia da campanha não é colocar em dúvida os benefícios das ofertas e das promoções, mas chamar a atenção para a responsabilidade do consumidor sobre a tomada de decisão.