Após o crescimento das críticas sobre a falta de objetividade de suas ações, o Governo Bolsonaro apresentou ontem suas primeiras metas prioritárias para seus primeiros 100 dias. No conjunto de 35 ações – a maioria delas ainda extremamente vaga – estão a extinção de 21 mil funções (estão ou não ocupadas?), o pagamento de 13º do Bolsa Família (não há previsão orçamentária) e um novo projeto de combate ao crime organizado, o qual pretende rever boa parte do Código Penal Brasileiro, o que não ocorre da noite para o dia muito menos com um canetaço do presidente, mesmo que seja com sua “poderosa” Bic.

De antemão, um plano audacioso, que peca justamente pela ambição e falta de clareza de como será executado.

Uma parte das metas diz respeito a alguns dos itens apresentados durante a campanha eleitoral, como o acréscimo do benefício social às famílias mais pobres. Outra parte trata de uma minirreforma da educação, enquanto o restante se refere a ações quase que corriqueiras, como planos hídricos e de logística até apoio à Lava Jato.

Na prática, é uma espécie de plano de governo que deveria ter sido apresentado lá atrás, antes de outubro, e que chega agora e bem capenga.

Ainda continua sem resposta a principal dúvida: como essas propostas serão executadas na prática.

Fizeram falta, dentro do pacote de prioridades, ações que levem ao tão necessário ajuste fiscal, e/ou soluções que cheguem efetivamente à sociedade, como reforço na segurança pública.

Claro que é um começo, embora o governo já tenha completado 23 dias. Mas as dúvidas continuam e a falta de respostas claras e objetivas começa a contaminar o ambiente de otimismo que o governo precisa para fazer o que precisa ser feito.