Quem viveu a década de 80 lembra dos constantes congelamentos de preços decretados pelo governo federal. Pacote atrás de pacote tentava conter a inflação, que saía cada vez mais galopante dos planos econômicos. Agora, o governo tenta impor novo congelamento: o dos fretes.

A medida aprovada ontem pelo Congresso tem forte resistência do setor produtivo. Apenas a indústria de São Paulo estima que a medida lhe vai custar R$ 3,3 bilhões. No agronegócio, a situação também não é diferente. O escoamento da safra está comprometido devido ao impasse gerado pelo tabelamento e ao aumento do custo do serviço.

Em suspenso, estão ações no STF pedindo a inconstitucionalidade da medida. Por conta do recesso, o Supremo Tribunal Federal adiou para agosto a decisão sobre a questão.

Confederações da Agricultura e da Indústria alegam o direito ao livre mercado, comandado pela lei da oferta e procura. E, no Brasil, notoriamente há excesso de caminhões, motivo principal dos preços achatados dos fretes, resultado da livre negociação.

Historicamente, ao menos no Brasil, quando o governo põe a mão a coisa desanda. Por aqui, a mão tem de ser mais que invisível, tem de ser transparente e, especialmente, inexistente.

Com tantos desajustes do poder público, a “sugestão” do mercado é que o governo cuide da própria casa primeiro, fazendo os ajustes fiscais necessários, que já estaria contribuindo sobremaneira para o crescimento e o desenvolvimento econômico.

Infelizmente, as previsões mais nefastas sobre a greve dos caminhoneiros vão se confirmando. O custo da mobilização que provocou o caos no Brasil aumenta a cada dia e ninguém sabe quando o garçom vai trazer a conta final.