O aumento desenfreado dos combustíveis (misteriosamente) não aparece na inflação, mas já causa muitos estragos. Há quase um ano a Petrobras mudou a política de reajuste para acompanhar o mercado internacional e desde então gasolina e diesel, além do gás de cozinha, têm os preços majorados quase que diariamente. Apenas em maio, o reajuste já passa de 15%. E isso pode literalmente parar o País.

Embora item essencial, o consumo já caiu 30%. Ou seja, muitos têm deixado os carros em casa com os tanques vazios.

Mas o cenário mais crítico ainda é no setor de transporte. Na região oeste, quatro de cada dez transportadoras fecharam as portas. E quem continua na atividade garante que tem prejuízo e que jogar a toalha é só uma questão de tempo.

Ontem, a Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam) convocou paralisação geral nacional a partir desta segunda-feira. A entidade cobra do governo federal medidas para mitigar o impacto do aumento do diesel, como a isenção de tributos. O anúncio foi feito ontem após o governo federal não atender às demandas apresentadas.

A entidade tem alertado o governo há tempos e, nesta semana, reforçou a questão. Mas não obteve resultado. Conforme a entidade, um dos problemas é a alta carga tributária: 43% do preço do diesel na refinaria é resultado de ICMS, PIS, Cofins e Cide.

Enquanto tenta equilibrar os cofres da Petrobras esvaziados pelo esquema de cartel e pagamento de propinas, o governo esvazia os bolsos dos consumidores e de um segmento extremamente importante para o País. Vale lembrar que hoje a maior parte da produção é escoada por caminhões. Se eles pararem, o Brasil também para, é só uma questão de dias.