Coluna Amparar: a depressão na relação de casal

Como lidar sistemicamente com essa situação?

Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. Segundo as estatísticas, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e cerca de 97% dos casos estão relacionados a transtornos mentais, entre os quais, em primeiro lugar, a depressão. As mesmas estatísticas apontam que em torno de 15% das pessoas sofrem de depressão ao longo da vida.

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Os sintomas que permitem identificar que alguém está afetado pelo humor depressivo são variados. Em geral, a pessoa sofre de um sentimento de vazio profundo, tem um sentimento de autodesvalorização e de culpa. Essa percepção negativa de si a faz se perceber como um peso para a família e aos amigos, vendo as dificuldades como intransponíveis. Isso costuma levá-la a desejar a morte como forma de alívio para si e para os outros. Essa sensação de “sentimento de falta de sentimento” faz com que se mostre indiferente a tudo e a todos. A vida lhe parece um todo cinza.

A abordagem médica desse problema é muito conhecida. Em lugar dela – cujo valor e importância são inquestionáveis -, propomos uma análise a partir da perspectiva sistêmica de Bert Hellinger. Desde essa perspectiva, o que está na origem de semelhante quadro? O que é possível fazer no sentido de superá-lo?

Nas várias intervenções sobre o tema, Hellinger tem dito sempre que a depressão é um sentimento de vazio resultante da exclusão de um dos pais. Uma vez que os pais são a fonte da energia dos filhos, quando esses não tomam um deles, têm somente metade da força vital e ficam deprimidos.

Como lidar sistemicamente com essa situação? É preciso tomar o pai ou a mãe rejeitados tais como são. Ao expressar amor e gratidão pela vida recebida, a depressão desaparece e se fica em paz consigo mesmo. Esse movimento de pacificação precisa ser feito com acompanhamento profissional.

Acontece com frequência de um cônjuge que sofre de depressão ter seu quadro agravado pelo modo como o outro cônjuge lida com a situação. Pelo fato de a pessoa deprimida sentir indiferença em relação a tudo o que a rodeia, tem dificuldade de expressar interesse pelo parceiro. Nada parece capaz de estimulá-lo e até mesmo o desejo sexual desaparece. Quando o parceiro não identifica adequadamente o quadro, pode interpretar o comportamento dele como “não me ama mais”, ou de estar vivendo uma relação extraconjugal. A costumeira prática de discussão com acusações, julgamentos, ofensas e brigas pode levar o parceiro deprimido ao extremo de cometer suicídio.

O quadro depressivo se forma aos poucos. Por isso, a necessidade de estar atento aos comportamentos destoantes, especialmente aqueles que revelam desinteresse pela vida, isolamento e indiferença em relação aos sentimentos.

É fundamental buscar ajuda desde os primeiros sintomas. Além da ajuda médica, o apoio psicoterápico é essencial. Ainda que o parceiro em depressão resista, o outro precisa buscar amparo para si. Às vezes, apenas esse movimento basta para despertar o parceiro a acompanhar o processo.

 

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José Luiz Ames e Rosana Marcelino – Terapeutas Sistêmicos e conduzem a Amparar

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