Casos consumados; tentativas e ajuda

Na segunda reportagem da nossa série sobre o Setembro Amarelo, vamos falar sobre casos consumados, tentativas e sobre a ajuda

Reportagem: Juliet Manfrin

Na segunda reportagem da série sobre o Setembro Amarelo, a importância de procurar ajuda, pedir socorro e tentar caminhos que possam levar a uma saída. “Falar sobre o problema que está vivendo já é uma parte do caminho para sair dele. Quem se fecha no problema não consegue sair daquele espiral. Isso é uma doença que precisa ser tratada”, conta Maicon, que está em recuperação e, a seguir, você vai entender como ele está saindo do fundo do poço.

Conforme estatísticas do Ministério da Saúde, que tem a última atualização de 2017, no oeste, as mortes ocasionadas por lesões autoprovocadas somaram 104 casos e, no Paraná, 774.

Segundo especialistas, os números vêm crescendo e precisam do envolvimento da sociedade porque, conforme a OMS (Organização Mundial da Saúde), para cada suicido consumado houve 20 tentativas frustradas. Ou seja, em 2017, mais de 2 mil pessoas atentaram contra a própria vida em apenas aqui, no oeste  do Paraná.

Em números absolutos, Foz do Iguaçu tem mais registros, com 18 mortes, mas proporcionalmente o destaque é Medianeira, com oito casos.

Para o psicólogo Ayr Belinho, esse é um retrato de que esses óbitos ocorrem em todos os lugares e em todas as classes sociais, mas lamentavelmente nem todos terão acesso aos tratamentos adequados. “Eu diria que a depressão não é mais uma epidemia, já se tornou uma pandemia, precisamos agir logo, mas, lamentavelmente, nem todas as pessoas têm acesso ao tratamento e isso acaba se refletindo em outros problemas”.

Conforme o psicólogo, pessoas com menor poder aquisitivo para seguir o tratamento com plano de saúde ou até pela rede particular acabam se afundando na bebida, nas brigas em casa, problemas graves que podem levar à violência, potencializando a depressão. “Precisamos de uma rede eficaz de atendimento e que possa chegar às pessoas. E isso não só na região oeste do Paraná, isso é pelo Brasil todo. Às vezes as pessoas esperam um ano por consulta com psiquiatra pelo SUS, ou com psicólogo”, lamenta.

Em busca da superação

Maicon é o pseudônimo usado para um homem de 42 anos que tentou o suicídio três vezes só no ano passado. Primeiro foi por intoxicação com medicamentos, que lhe rendeu uma lavagem estomacal e alguns dias para recuperação. “Minha família ficou muito preocupada e ficava o tempo todo em cima, até que tive uma ideia, fiz de conta que estava muito bem e começaram a ter mais confiança, deixaram de me observar tanto. Foi quando peguei o carro e tentei jogá-lo contra um caminhão… mais uma tentativa frustrada, porque o motorista conseguiu desviar, não sei como”, relata. Segundo ele, esse episódio sua família só soube há pouco tempo.

Ele ainda tentou se enforcar no banheiro, mas a irmã chegou a tempo. “Ela ficou desesperada e foi a partir daí que percebi que as pessoas se importavam mesmo comigo. Fui para a terapia, estou fazendo acompanhamento psiquiátrico, tomo remédios, mas não é fácil. Sem contar que há preconceito de mostrar o rosto e dizer que estou lutando contra essa doença”, destacou.

E os medicamentos são justamente a principal opção de quem tenta tirar a própria vida. “A intoxicação por medicamentos é a mais comum para quem quer atentar contra a vida. Já recebi muitos pacientes assim, mas felizmente nunca perdi nenhum”, conta o psicólogo Ayr Belinho.

Na próxima reportagem você vai entender como municípios considerados de médio e pequeno portes estão lidando com o problema e as medidas para buscar ajuda.

 



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