O projeto Amazona é o primeiro no Brasil a analisar os casos de mulheres com menos de 40 anos e diagnóstico de câncer. Ele está na terceira atualização e mostra a luta de pacientes contra tipos invasivos deste tipo de doença.

Os dados foram apresentados para o mundo neste mês, em um dos maiores simpósios do planeta, o San Antonio Breast Cancer Symposium, no Texas (EUA). A pesquisa comparou informações de pacientes com idade inferior a 40 anos e superior. A conclusão do estudo foi de que mulheres brasileiras com menos de 40 anos têm registrado câncer de mama mais agressivos e com estágio mais avançado em comparação a mulheres mais velhas.

Em Santa Catarina, o Centro de Novos Tratamentos de Itajaí incluiu participantes nessa pesquisa do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama. No País, 2.950 brasileiras com diagnóstico recente de câncer de mama participaram da pesquisa realizada entre o período de janeiro de 2016 a março de 2018. “É de extrema importância ter dados das pacientes brasileiros, ver a realidade do Brasil. Só dessa forma podemos traçar metas para a melhoria da saúde no nosso país”, lembra o médico oncologista do CNT, Giuliano Borges.

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Imunoterapia contra o câncer de mama triplo negativo

As informações mundiais divulgadas numa das mais importantes revistas médicas, o The New England Journal of Medicine (NEJM), mostram o benefício de associar a imunoterapia no tratamento contra este tipo mais agressivo de câncer de mama: o triplo negativo. O grupo analisado recebeu a imunoterapia com quimioterapia.

Em Itajaí (SC), mulheres receberam essa medicação. O estudo clínico aconteceu no Centro de Novos Tratamentos Itajaí.

No mundo, mais de 900 pacientes participaram dessa fase da pesquisa. “A medicina dá um grande passo para tratar as pacientes com esse diagnóstico. Até o momento não tínhamos progressos na área de novas terapias para o grupo. São resultados positivos, que mostram um caminho promissor”, explica o médico Giuliano Borges.

 

Brasil registra 6 mil novos casos de câncer de pênis em 2018

Em 2018, o Brasil registrou 6 mil novos casos de câncer de pênis, uma doença que, apesar de pouco comentada e rara, é perigosa. As estimativas são do Inca (Instituto Nacional do Câncer), que revela que isso representa 2% do total de tumores que vão atingir pessoas do sexo masculino.

Falta de higiene, idade avançada, fimose e baixas condições socioeconômicas estão relacionadas à doença.

Mas, segundo a literatura médica, outro fator também contribui para o seu surgimento: o papilomavírus humano (HPV), uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) cuja transmissão ocorre por meio do contato direto com a pele ou a mucosa infectada.

“O HPV tem uma média de associação de 30% a 40% com o câncer peniano, em especial os tipos 16 e 18 (o vírus tem 150 variações)”, diz Newton Sérgio de Carvalho, professor de ginecologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fez uma revisão sobre o tema, publicada em 2008 no Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis.

De acordo com Carvalho, a pessoa diagnosticada com os tipos 16 e 18 do vírus apresenta mais chances de desenvolver câncer, não só no pênis, mas também em outras partes do corpo. “Importante ressaltar, no entanto, que a contaminação tem que estar associada a mais fatores, como a associação do HPV com ISTs, a exemplo da clamídia”, reforça o médico.

Alerta

O Brasil, segundo o artigo “Updates on the epidemiology and risk factors for penile câncer”, publicado em 2017 na National Library of Medicine, está entre os países com o maior número de casos de câncer de pênis associados ao HPV, ao lado da Índia e de nações africanas.

Segundo Carvalho, o dado serve como alerta, pois, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, mil órgãos sexuais masculinos são amputados todos os anos por aqui em decorrência da doença. “Algo que poderia ser evitado com medidas preventivas, já que a amputação é necessária apenas em casos avançados”, diz o professor.

 

Diagnósticos e prevenção

A infecção por um determinado tipo de HPV não exclui os outros. As chamadas coinfecções podem acontecer e apresentar dois ou mais tipos do vírus ao mesmo tempo. A importância do diagnóstico molecular se dá pelo fato de que alguns tipos de HPV estão relacionados a lesões que progridem para o câncer, e os diferentes tipos possuem sítios de infecção distintos. A genotipagem identifica os subtipos de HPV, permitindo um monitoramento adequado dos indivíduos com maior risco a desenvolverem cânceres e, assim, possibilita uma abordagem mais precisa e personalizada para prevenir a progressão da doença. Além disso, a genotipagem diferencia o tratamento no caso de pessoas com outras infecções por HPV oncogênicas menos agressiva.

A principal e mais eficaz forma de prevenção do HPV, segundo o Ministério da Saúde, é a vacinação. Ela é distribuída gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para meninos de 11 a 14 anos, meninas de 9 a 14 anos, pessoas que vivem com HIV e aquelas com idade entre 9 a 26 anos que receberam transplante. Os adultos fora dessas faixas podem adquirir a vacina na rede privada.

Em setembro deste ano, o Ministério lançou uma nova campanha publicitária convocando os adolescentes para se atentar à causa. A meta é imunizar mais de 20 milhões de jovens, sendo 9,7 milhões de meninas e 10,8 milhões de meninos.

A comunidade médica, no entanto, está preocupada com a baixa adesão, principalmente a dos meninos. No ano passado, 2,6 milhões (35,7%) receberam a primeira dose. Já a segunda dose, dada neste ano e necessária para a imunização completa, atingiu apenas 13% do público-alvo. “É muito importante tomar a vacina porque é um procedimento preventivo que tem o objetivo de evitar que pessoas sem o HPV contraiam o vírus”, diz o ginecologista Newton Sérgio de Carvalho.

Hoje, de acordo com estudo feito pelo Ministério da Saúde em parceria com hospitais e secretários de Saúde, 54,3% dos brasileiros com idade entre 16 a 25 anos têm HPV. Desse total, 37,6% apresentaram variações do vírus com alto risco para o desenvolvimento de câncer.

Dica importante:

Além da vacina contra o HPV, outras medidas também são necessárias para prevenir o câncer peniano. O Inca sugere limpeza diária do órgão masculino com água e sabão, principalmente após as relações sexuais e a masturbação, e cirurgia de fimose, pois a pele de prepúcio é estreita ou pouco elástica e impede a exposição da cabeça do pênis, dificultando a limpeza adequada e a utilização do preservativo.