Brasília – Após um dia inteiro de discursos, apenas por volta das 18h é que houve quórum para início da votação e por volta das 20h30 de ontem a Câmara dos Deputados já tinha votos suficientes para arquivar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB).

Em pauta, o pedido do STF (Supremo Tribunal Federal) para processar, por crime comum, o presidente e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral, Moreira Franco. Todos eram acusados de formar uma organização criminosa para ocupar cargos públicos e arrecadar propinas, estimadas em R$ 587 milhões. Temer também é acusado de obstrução de Justiça. O Planalto nega todas as acusações.

Na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o relatório sugeriu pelo arquivamento da denúncia. O autor, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), recomendava a inadmissibilidade da autorização para investigar a denúncia. Com isso, o caso fica suspenso e Temer só poderá ser investigado sobre essas denúncias depois de deixar o cargo de presidente da República, no fim de 2018.

A denúncia

No dia 14 de setembro, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot apresentou ao STF a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. Em junho, Janot havia denunciado o presidente pelo crime de corrupção passiva. Nessa última vez, Temer foi acusado de liderar uma organização criminosa de maio de 2016 até 2017. De acordo com a denúncia, o presidente e outros membros do PMDB teriam praticado ações ilícitas em troca de propina, por meio da utilização de diversos órgãos públicos.

Para que a investigação seguisse na Câmara, seriam necessários que ao menos 342 dos 513 deputados se manifestarem contra o relatório de Bonifácio de Andrada.

Como votou a bancada paranaense:

18 VOTARAM A FAVOR DO RELATÓRIO DA CCJ

Alex Canziani (PTB)
Alfredo Kaefer (PSL)
Dilceu Sperafico (PP)
Edmar Arruda (PSD)
Evandro Roman (PSD)
Fernando Giacobo (PR)
Hermes Parcianello (PMDB)
João Arruda (PMDB)
Luiz Carlos Hauly (PSDB)
Luiz Nishimori (PR)
Nelson Meurer (PP)
Nelson Padovani (PSDB)
Osmar Bertoldi (DEM)
Osmar Serraglio (PMDB)
Reinhold Stephanes (PSD)
Sérgio Souza (PMDB)
Takayama (PSC) 
Toninho Wandscheer (Pros)

12 VOTARAM CONTRA O RELATÓRIO DA CCJ:
Aliel Machado (Rede)
Assis do Couto (PDT)
Christiane Yared (PR)
Diego Garcia (PHS)
Ênio Verri (PT)
Francischini (SD)
Leandre (PV)
Leopoldo Meyer (PSB)
Luciano Ducci (PSB)
Rubens Bueno (PPS)
Sandro Alex (PSD) 
Zeca Dirceu (PT)

Presidente vai ao hospital, mas passa bem

São Paulo – Após sofrer uma obstrução urológica, o presidente Michel Temer foi submetido a uma sondagem vesical na tarde de ontem. A sondagem vesical é a introdução de um cateter através da uretra até a bexiga, com o objetivo de drenar a urina. Segundo informou o Palácio do Planalto por meio de nota, o presidente passa bem, está repousando após o procedimento e teve alta ontem mesmo, e seguiu para o Palácio do Jaburu.

Enquanto despachava pela manhã, o presidente sentiu um desconforto e, após avaliação no departamento médico do Palácio do Planalto, foi constatada uma obstrução urológica. Temer então seguiu para o Hospital do Exército para exames e devido tratamento.

Michel Temer tem 77 anos e é o mais velho presidente da história do País.