Brics e Mercosul – o Brasil na presidência temporária

Opinião de Zilda Mendes

Este ano, o Brasil está com a presidência pró-tempore dos Brics e a partir de julho assumirá a do Mercosul. Talvez não seja o melhor momento para assumir responsabilidades desse tipo devido às turbulências político-econômicas pelas quais o atual governo vem passando, mas é preciso olhar com otimismo e enxergar as oportunidades de protagonismo internacional para o Brasil.

Tanto os Brics como o Mercosul estão precisando de ações que os mantenham vivos e capazes de honrar os princípios e os propósitos determinados quando foram estabelecidos, ou até mesmo de tomadas de decisões que os levem para outros rumos se assim desejarem. O que não pode é estagnar, existir sem que nada de relevante para os países integrantes aconteça, ou que impeça que seus membros busquem seus próprios caminhos para seu desenvolvimento econômico e social.

O Brasil na presidência temporária do Mercosul pode apresentar propostas, estabelecer debates, propor novos rumos e medidas condizentes com as mudanças que estão ocorrendo em todo o mundo, em todas as esferas, o que poderá levar ao fortalecimento da integração econômica e comercial não só entre seus países-membros, mas também com os demais países e outros blocos econômicos.

Afora as questões econômico-comerciais, oportunidades de fortalecimento dos princípios democráticos e direitos humanos regionais devem também ser consideradas, cumprindo assim com as intenções originais do bloco.

Nos Brics, a presidência rotativa oferece a oportunidade para o Brasil debater conjuntamente com Rússia, Índia, China e África do Sul questões sobre pontos comuns entre esses países de diversas naturezas. Esses debates podem levar à formalização de acordos, convênios e adoção de medidas que visem facilitar seus negócios, no que diz respeito não só ao comércio entre eles mas também ao acesso às tecnologias de informação e telecomunicação, sobretudo com a China e a Índia.

Ao presidir os Brics, outra oportunidade que não pode ser descartada é a possibilidade de dar andamento à expansão do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o “Banco dos Brics”, que oferece empréstimos nas moedas nacionais dos países integrantes, eliminando o risco cambial normalmente presente quando são feitos com moeda forte, como o dólar norte-americano e o euro.

Como se pode notar, oportunidades existem para que o País participe efetivamente das tomadas de decisões que podem nos afetar direta ou indiretamente, mas para isto é preciso ter propósitos definidos, estabelecer metas e se posicionar.

Zilda Mendes é professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e atua nas áreas de comércio exterior e câmbio

O que não pode é estagnar, existir sem que nada de relevante para os países integrantes aconteça

Ao presidir os Brics, outra oportunidade que não pode ser descartada é a possibilidade de dar andamento à expansão do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o “Banco dos Brics”



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