COTIDIANO

Boletim diário Miroslau contradiz prefeitura e diz que demora é culpa da UPA

03 de março de 2018 às 09:01
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Cascavel – Desde a última terça-feira (27), quando a Prefeitura de Cascavel começou a divulgar diariamente a lista de pacientes que aguardam por leito hospitalar nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), seis pessoas que estavam clicadas na Central de Leitos foram transferidas. Contudo, a média diária de espera continua sendo superior a 30 pessoas.

Além disso, outras cinco receberam alta médica – quatro na UPA Veneza e uma na Brasília – e outro rapaz, de 26 anos, morreu na unidade do Bairro Veneza, após permanecer três dias clicado na central reguladora à espera de transferência para um hospital.

Um dos casos que mais chamaram atenção foi de um homem de 52 anos que ficou 23 dias clicado na Central de Leitos. O pedido de transferência foi parar no Ministério Público e apenas ontem, ao completar o 24º dia de espera, o paciente foi transferido para o Hospital Uopeccan.

A divulgação por parte da prefeitura teve início depois de denúncias da demora para o internamento. Isso porque, por lei, os pacientes deveriam ficar no máximo 72 horas nas UPAs.

A reportagem do Jornal O Paraná conversou ontem com o responsável pela Central de Leitos, o chefe da 10ª Regional de Saúde de Cascavel, Miroslau Bailak. E suas respostas são surpreendentes. Segundo ele, a demora desses pacientes da UPA são culpa da própria UPA. Bailak disse que o número de profissionais que atuam nas UPAs é baixo em relação à demanda de pacientes, o que compromete a avaliação que determina o clique na Central. “Com uma avaliação correta, [o médico assistente] não põe na Central [de Leitos]. Quando é um caso urgente, com certeza a Central resolve rápido”, afirma. “Fica sem vaga [no hospital] paciente que não tem indicação de diagnóstico”.

Esse teria sido o caso, conforme Miroslau, do homem de 52 anos que ficou 24 dias na UPA clicado na Central de Leitos. Ele não teria “um diagnóstico”, afirma, o impossibilita ocupar uma vaga SUS. “Ele não podia ser internado sem uma hipótese diagnóstica, processo que é feito pelo Município. Havia suspeita oncológica e eu mesmo providenciei exames para resolver o problema”, declarou.

Hospital Municipal

Um reforço para este problema está sendo providenciado pela própria prefeitura, com a abertura do Hospital Municipal. Ele deve abrir 60 leitos de retaguarda, desafogando as UPAs. Nesta semana, o deputado federal Alfredo Kaefer anunciou a liberação de R$ 11,5 milhões para reforma e equipamentos da unidade. “Quando abrirem esses 60 leitos, não vai ter gente esperando nas UPAs”, garante Bailak.

Espera nas UPAs

A publicação da lista de pacientes que estão nas UPAs à espera de leitos hospitalares no Portal do Município atende lei aprovada em 2017 pela Câmara de Vereadores, que pede mais transparência na saúde. A proposta surgiu após diversas denúncias de pacientes que aguardavam por semanas por leito hospitalar, embora estivessem clicados na Central de Leitos.

Ontem, por exemplo, havia 26 pacientes nas UPAs, clicados, à espera de leitos. Um deles aguarda há 19 dias, outro, há 14.

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