Reportagem: Josimar Bagatoli

Implantada há dois anos, a GM (Guarda Municipal) de Cascavel enfrenta mais uma denúncia: quatro alunos do curso de formação da nova turma aprovada no último concurso público relataram ferimentos graves – dois tiveram fraturas – ocorridos durante as aulas. O caso é acompanhado pela Comissão Permanente de Segurança e Trânsito da Câmara de Vereadores.

Os alunos dizem que foram deferidos socos e chutes durante a fase de treinamento. “Recebemos as denúncias de que quatro alunos sofreram graves lesões durante o treinamento. Inclusive, temos vídeos do treinamento. Possuímos informação de que os alunos eram quase espancados”, revela o vereador Fernando Hallberg (PDT).

Haveria inclusive casos de desistência devido à intensidade dos ferimentos.

Além da saúde dos aprovados e os danos morais, a preocupação dos parlamentares é com as consequências jurídicas e econômicas aos cofres públicos. “Esses alunos ainda não fazem parte do quadro da prefeitura. Eles recebem uma bolsa-auxílio para participar do treinamento. Se sofrem uma lesão que nunca mais poderão trabalhar, quem pagará? Será o IPMC? Não! Será o INSS? Também não! Os alunos não possuem vínculos com nenhuma dessas instituições, criando um problema grave que precisamos verificar”.

Há um mês a Comissão Permanente busca respostas a respeito do caso. Um ofício da Secretaria de Política sobre Drogas e Proteção à Comunidade foi encaminhado aos vereadores – assinado pelo ex-diretor da Guarda Municipal Avelino Novakoski -, mas sem as respostas.

“Recebemos uma resposta evasiva alegando que cabe ao Recursos Humanos apresentar uma justificativa e a Guarda Municipal disponibiliza dois servidores para auxiliar na coordenação do curso. Diante disso, vamos encaminhar novo pedido de explicações ao prefeito Leonaldo Paranhos. Queremos saber se os alunos afastados estão recebendo tratamento e medicação”, explica Hallberg.

Mês passado, o policial civil e ex-delegado Antônio Volmei Santos assumiu a chefia da GM.

Nota oficial

A Secretaria de Comunicação informou que à reportagem, em nota, que “o GM encarregado relatou que houve uma situação em que um aluno foi encaminhado para o médico após se machucar na aula de defesa pessoal, situação pontual, que pode acontecer em virtude das atividades de contato físico. Outro aluno acabou se contundindo durante atividade física (corrida), sendo constatada uma luxação no tornozelo, o mesmo também conduzido para o atendimento médico. Cabe ressaltar que os alunos recebem todo atendimento e encaminhamento necessário durante a realização do curso preparatório à atividade”.