Todas as vezes que temos notícias de acidentes, crimes, maldades em escolas ficamos pensando, onde a escola errou. A função da escola é ensinar? Quando estudamos a etimologia da palavra ensinar, vemos que ela surgiu no século XI na língua francesa enseigmer e, no século XIII, na língua portuguesa, vindo do latim insignare, que significa indicar, designar, marcar com sinal. Sinal em grego é Karakter. Assim, a escola é o lugar de ensino aprendizagem.

Ou será função de Educar? A palavra Educar surgiu no século XIV como éduquer, do latim educare, forma derivada de educere, que contém ideia de conduzir; no século XVII, aparece em português e castelhano. O iluminismo trouxe a ideia de progresso como sinônimo de educar.

Ou, ainda, poderá ser Instruir, que vem do latim instruere; no século XII, era instruire no francês e, no século XIV, surge em português, significando semear, lançar grão ao solo, daí veio a palavra construir.

Instruir, nos últimos tempos, tem sintetizado as posições pedagógicas avançadas.

Tudo isso não significa que sábios cientistas e estudiosos sejam pessoas de bons hábitos, honestos, caridosos e amigos. Jesus, o Cristo, sempre ensinou bons princípios baseados no amor ao próximo, mas muitos, desde sua época, não concordavam com seus ensinamentos. Até o dia de hoje, sempre observamos os cristãos seguidores do evangelho que praticam o bem, mas, mesmo entre aqueles que se dizem cristãos, estão sempre fazendo o mal e negligenciando a fraternidade.

Se fizermos uma leitura nos preceitos e nas recomendações das várias religiões que conhecemos, vamos constatar que todas pregam o bem, o perdão e o amor ao próximo.

A família que forma o cidadão não precisa ser a família tradicional em que fomos gerados, mas a família que nos acolheu com amor, carinho, aconchego, bons exemplos que representam os bons conselhos. Para as crianças em fase de formação, não é preciso falar, basta ser o espelho, pois, como diz o ditado popular: “Exemplo vem de casa”.

Os médicos e os psicólogos podem ajudar quando as deformações e as distorções acontecem, e aqueles que estão educando serão os responsáveis pelas correções.

A educação moral e cívica, o respeito à pátria, aos professores e à família irá ajudar, mas só isso não basta. Precisamos desenvolver os princípios de Ética e de Moral Cristã, de Moral Judaica, Islamita, Budista… já que o mundo está globalizado, permitindo um entrosamento instantâneo via internet.

Não devemos, e também não adianta criticar tudo o que observamos nos jovens. Vamos fazer um retrospecto do nosso comportamento e, quando achamos algo na rua e não procuramos devolver, quando furamos uma fila para andarmos mais rapidamente, quando o troco que recebemos vem a mais e não devolvemos, quando trocamos um objeto por outro só para nos beneficiar, quando ficamos com um livro que nos foi emprestado e não devolvemos se o dono não reclamar… estamos dando exemplos e, sem perceber, aceitando a famosa Lei de Gerson: “Você sempre deve levar vantagem”.

Reflitamos sobre o nosso dia a dia e pensemos que sempre é tempo de recomeçar.

Não deveria ser manchete nacional o varredor de rua que devolveu uma carteira com dinheiro achada no lixo? Nem o empresário que pagou a escola para um jovem carente?

Os livros infantis ajudam a formação do jovem quando estes têm o objetivo de criar situações que direcionam os protagonistas para atitudes corretas.

Estamos vivenciando uma era de tudo divulgar, de tudo criticar, do politicamente correto e não podemos esquecer que somos responsáveis por aquilo que cativamos, conforme afirmou Exupéry. Os filhos devem sempre ser orientados e, mesmo os que já saíram de casa, que já são pais e mães, devem ser alertados sobre o comportamento diante da sociedade, diante dos filhos e preparando a etapa espiritual que os espera após a passagem nesta vida.

 

Dr. José de Jesus Lopes Viegas, médico, presidente da AMC – CRM/PR 5272