
? Em 1961 eu cobria os eventos do Copacabana Palace. Fiquei lá por um ano e fiz fotos, por exemplo, de Sammy Davis Jr. e Tony Bennett. Ao mesmo tempo, o Ronaldo Bôscoli, com quem eu tinha trabalhado no jornal ?Última Hora?, me chamou para trabalhar nos shows que ele e o Miele estavam organizando no Beco das Garrafas ? conta Nery.
Através das lentes de sua Rolleiflex, foram documentados os primeiros sons dessa turma, que, segundo Nery, não tinha noção alguma do impacto que iria causar.
? Fotografei uma temporada de shows histórica. Foi o encontro de Tom, Vinícius, Os Cariocas, o baterista Milton Banana e o baixista Otavio Bailly. Depois, fiz o encontro deles com artistas internacionais, como o próprio Bennett.
Um episódio marcante para Nery foi a despedida de Sergio Mendes do Brasil.
? Fotografei a última temporada dele no Beco. Ele me chamou um dia e falou: ?Vamos botar o black tie, fazer mais um show e ir para os Estados Unidos?. Fiz as fotos em frente ao Beco, na praia e dele com Bôscoli e Miele.
Enquanto acompanhava, no Rio, os shows de João Gilberto e da pequena Nara Leão, o fotógrafo fazia a ponte aérea para São Paulo e vivia todo o frenesi da Jovem Guarda.
? Acontecia tudo ao mesmo tempo. Fotografava o Roberto e Erasmo Carlos em São Paulo, voltava para o Rio para fazer fotos da Elizeth Cardoso. Assim, montei um acervo espetacular. E eu era muito chato para fotografar, procurava ângulos diferentes e usava muito as sombras, influência da pintura.
A pilantragem de Wilson Simonal, que varreu o Brasil até o início dos anos 1970, também entrou para a história através de suas fotografias.
? Fiz fotos dele no Festival Internacional da Canção. Ele foi um fenômeno! O mais aplaudido do Maracanãzinho ? conta Nery.
O também fotógrafo Luiz Ferreira não se considera um curador, mas ajudou a organizar a exposição do colega. Ele ficou impressionado ao ver o cuidado com que Nery trata o seu trabalho:
? Ele é muito bem organizado, tem todos os negativos. O que é essencial, porque expor esse registro visual complementa o sonoro. É uma maneira também de preservar o que foi aquela época.