RIO – O baile funk do Morro da Barão, promovido pelo chefe da favela da Praça Seca, Sérgio Luiz da Silva Júnior, o Da Russa, sempre foi o chamariz perfeito para adolescentes até o ?bando do abatedouro?, cujos integrantes são suspeitos do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos, na semana passada, dentro da favela. Pelas redes sociais, membros da gangue falam sobre a orgia com mulheres, drogas e bebida alcoólica após as festas, nas quais o dono do morro proíbe filmagens. Mas os seus cúmplices acabaram levando suas vítimas até o local, conhecido como ?abatedouro? e gravaram imagens. Foi graças aos compartilhamentos do vídeo do estupro coletivo em redes sociais que o caso veio à tona e a investigação teve início.

Segundo a Dcav, Correa, Brasil e Lucena também teriam envolvimento com o tráfico. O grupo faz parte da facção mais antiga do Rio e é suspeito de promover guerras pela retomada de territórios, como a ocorrida há cerca de um mês no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Sérgio Luiz recebe as ordens diretas de Luiz Cláudio Machado, o Marreta, preso num presídio federal.

? Há nove anos que sou lutador. Hoje dou aulas de muay thai para crianças e adultos na favela. Recebo uma ajuda de custo de R$ 800 por mês. Moro com a minha mãe e duas irmãs. Nunca iria estuprar ninguém. Minha família está triste, pois sabe que eu não seria capaz disso. Eu fiz sexo com ela (a jovem que sofreu estupro), mas foi porque ela quis ? disse Raí, negando o estupro.

Lucas, conhecido como Petão, que segundo a vítima seria o namorado dela, é jogador de futebol do Boavista, de Saquarema, time da primeira divisão do Campeonato Carioca. Ele negou o namoro com ela.

Lucas estudou até a 5ª série. Sua mãe é dona de casa e o pai, motorista. A família é evangélica. Em sua rede social, Lucas cita passagens da Bíblia e posta fotos sem camisa, com cordões de ouro. Em fevereiro, postou a música ?Os faixa (sic) preta do Marreta? e comentou: ?Vem f. com a tropa do marreta?.
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