Descubra a importância da doação de órgãos no Paraná e como o HUOP está colaborando para aumentar as captações - Foto: HUOP
Descubra a importância da doação de órgãos no Paraná e como o HUOP está colaborando para aumentar as captações - Foto: HUOP

Paraná - O Paraná segue como referência nacional na captação e no transplante de órgãos. Até novembro do ano passado, o Estado realizou 1.715 transplantes, segundo dados do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) do Paraná no qual foram realizados 410 transplantes de rim, 264 de fígado, 29 de coração, oito de pâncreas/rim, quatro de fígado/rim e cerca de mil transplantes de córnea, consolidando o Paraná entre os líderes do país.

Inserido nesse cenário o HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná) inicia o ano com o objetivo de implantar um serviço próprio de captação de órgãos e tecidos para transplantes, além de oficializar a Corrida pela Vida no calendário institucional. Para o diretor-geral do HUOP, Rafael Muniz, já existe um planejamento criado para tornar isso possível. “Estamos organizando as ações necessárias para garantir a estruturação de uma equipe exclusiva de captação, fortalecendo a autonomia do hospital e otimizando o processo de doação na região Oeste do Estado”, relatou.

Conversão

Durante o ano passado, o HUOP alcançou a maior taxa de conversão de doações a partir de protocolos de morte encefálica do Paraná, com índice de 84,9%, desempenho que coloca a instituição entre as cinco com melhores resultados do Brasil. No mesmo período, foram captados 131 órgãos e tecidos, beneficiando diretamente 157 pessoas.

Apesar dos resultados expressivos, o hospital ainda depende de equipes externas para a etapa cirúrgica da captação, realidade que contrasta com sua posição como um dos maiores geradores de doações do Estado. A implantação de um serviço próprio é considerada estratégica para ampliar a eficiência do processo, reduzir o tempo de isquemia dos órgãos e minimizar riscos de perdas relacionadas a atrasos logísticos.

A proposta de implantação está fundamentada em três pilares: credenciamento da equipe cirúrgica junto à Central Estadual de Transplantes e ao Ministério da Saúde; capacitação contínua dos profissionais envolvidos; e adequação de fluxos e infraestrutura, incluindo salas cirúrgicas e equipes de apoio dedicadas exclusivamente à captação. A iniciativa também reforça o papel acadêmico do HUOP, consolidando-o como polo formador de profissionais altamente qualificados.

Atualmente, o HUOP já executa todas as etapas pré-cirúrgicas do processo de doação, como o diagnóstico de morte encefálica, a manutenção clínica rigorosa do potencial doador nas unidades de terapia intensiva e o acolhimento familiar, etapa na qual o hospital apresenta um dos maiores índices de aceite do Estado. Segundo a coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT/HUOP), Gelena Castillo Pujol, o objetivo a curto prazo é completar esse ciclo dentro da própria instituição.

“O HUOP já identifica, mantém e acompanha o doador com excelência. O próximo passo é realizar também a captação e, futuramente, avançar para a implantação do serviço de transplantes, garantindo atendimento integral à população do Oeste do Paraná, especialmente considerando que a região conta atualmente com apenas uma equipe para o desempenho dessa função”, falou.

Avanço

A implantação de um serviço próprio de captação de órgãos e tecidos representa um avanço natural desse protagonismo, ampliando a autonomia institucional, fortalecendo a missão acadêmica e científica do hospital e preparando o caminho para a futura consolidação do HUOP como centro transplantador. Trata-se de um passo decisivo para assegurar que a solidariedade das famílias paranaenses se traduza em mais agilidade, segurança e vidas salvas, garantindo à população do Oeste acesso integral a serviços de alta complexidade no maior hospital da região.