Alerta: Cascavel é a terceira cidade do Estado em 
registros de autuações devido à embriaguez ao volante - Foto: IA
Alerta: Cascavel é a terceira cidade do Estado em registros de autuações devido à embriaguez ao volante - Foto: IA

Cascavel e Paraná - A vida adulta que é a fase da maturidade física e psicológica do ser humano, que vem a partir dos 20 anos, traz consigo uma série de mudanças, entre elas, as responsabilidades com a família, com o emprego e com a vida em sociedade. As mudanças exigem uma série de adaptações e trazem com elas os desafios das emoções e as construções da sua vida e com a do próximo e entre as responsabilidades, uma delas é bem importante – do comportamento como motorista.

Muitas pessoas brincam que o veículo na mão de quem não sabe usar é uma “verdadeira arma”, já que usado de forma errada ele pode matar quem está dirigindo ou o próximo. O trânsito tem estatísticas enormes de pessoas que perdem a vida, ficam feridas ou ainda se envolvem em situações provocadas por terceiros e aí entra um problema bastante latente nos dias de hoje que é a embriaguez ao volante

A falsa sensação de tomar só um pouco que não vai dar em nada – traz uma série de consequências e coloca peças estragadas dentro da mobilidade urbana. É como se imaginamos um grande tabuleiro com as ruas, prédios, casas e dentro do contexto veículos sem seguir as regras, abusando da velocidade, não respeitando as regras e ainda com condutores em más condições de visibilidade e cognição que é o que acontecem com os “bebuns” que insistem em beber e dirigir.

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Dados divulgados nesta semana pelo Detran (Departamento de Trânsito do Paraná) apontam que Cascavel é a terceira cidade do Estado em registros de autuações devido à embriaguez ao volante, ou seja, de dirigir sob influência de álcool, contabilizando mais de 400 casos, ficando apenas atrás de Ponta Grossa que teve ao todo 405 notificações e da capital do Estado, Curitiba que somou 479 infrações. Os comportamentos inapropriados colocam em risco a vida dos próprios condutores e de terceiros.

Toda semana é comum a divulgação de casos de embriaguez – tanto nas ruas da cidade quanto nas rodovias – e em vários casos evoluindo para acidentes e até mortes. Os dados do Detran são referentes ao período de janeiro a dezembro do ano passado e o que chama a atenção é que a quantidade é muito maior do que cidades de maior porte, como por exemplo, Londrina que teve 133 casos e Maringá com 128.

Embriaguez é crime

A Lei Seca – que em 2026 completa 18 anos de criação – traz uma série de consequências para quem for pego dirigindo embriagado. Ela fere o artigo 306 do Código de trânsito Brasileiro caracterizado por conduzir veículo com capacidade psicomotora alterada por álcool/drogas. As penalidades incluem detenção de seis meses a três anos, multa de R$ 2.934,70, suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) por 12 meses e ainda a retenção do veículo.

Foto: AEN

Além disso, condutores flagrados podem ser presos, pagando fiança para responder em liberdade e a recusa ao teste do bafômetro gera as mesmas penalidades que é a multa e a suspensão, mesmo sem constatação de alteração psicomotora. Em caso de o motorista ser reincidente a suspensão pode chegar a dois anos. A alteração da capacidade psicomotora que é o resultado do uso do álcool pode ser comprovada por teste de alcoolemia, conhecido como bafômetro com resultado de 0,34 mg/L de ar alveolar.

Nas blitze, que são as fiscalizações de trânsito, no caso em que o condutor se recusa a realizar o teste do bafômetro ele recebe uma multa de R$ 2.934,70 e suspensão da CNH por 12 meses e o veículo só é liberado se outro condutor habilitado e sóbrio for apresentado.

Mais fiscalização

Para a educadora de trânsito e presidente do Cotrans (Comitê Intersetorial de Prevenção e Controle de Acidente de Trânsito) de Cascavel, Luciane de Moura, os números refletem o aumento da fiscalização de trânsito que tem sido cada vez mais intensa na cidade, mas que o cenário é bastante preocupante. “As pessoas ainda não se conscientizaram de que direção e bebida não combinam, essa é uma combinação que vai dar ruim no final, porque ou você pode parar dentro de uma delegacia ou num hospital”, alertou Moura.

Foto: AEN

Segundo ela, os órgãos de trânsito da cidade têm fiscalizado bastante além de manter aumentando as ações reunindo tanto a Polícia Militar, Transitar quanto a Polícia Rodoviária Federal e Estadual, todos unidos para combater a ingestão de bebida alcoólica. “Para este ano vamos intensificar ainda mais a fiscalização, porque os números estão mostrando que é necessário”, afirmou. Moura disse que a maior parte dos motoristas quando são flagrados relatam que estavam um happy hour ou que beberam apenas uma cerveja, mas que estão bem para dirigir.

“Muitos falam assim que estão bem para dirigir, mas as pessoas têm que se conscientizar, porque o motorista apresenta características de que ingeriu bebida alcoólica, como olhos vermelhos e o hálito, e estas questões os policiais ou agentes de trânsito observam na hora”, falou. Para ela, o mais importante é que as pessoas se conscientizem que o álcool faz com que a pessoa perca os reflexos e isso traz consequências graves, por isso é muito melhor usar um carro de aplicativo, táxi ou amigo da vez, mas não conduzir um veículo alcoolizado.

Para a educadora, eles sempre falam nas fiscalizações que a situação é o problema comportamental, já que não é proibido beber, mas é proibido a pessoa beber e dirigir, ou conduzir um veículo alcoolizado. “Quando a gente conseguir que as pessoas se conscientizem disso, nós vamos mudar esse cenário aí, porque a nossa meta é que não tenha ninguém alcoolizado conduzindo no trânsito e por isso, vamos intensificar esse ano as fiscalizações tanto aqui no perímetro urbano, quanto nas rodovias”, reforçou.

Foto: AEN

100 bebuns nas rodovias

A PRE (Polícia Rodoviária Estadual) de Cascavel divulgou nesta semana, que desde o início do ano, ao todo, 100 condutores já foram autuados por infrações previstas no artigo 165 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), que trata da condução de veículo sob a influência de álcool ou outras substâncias psicoativas, na Região Oeste. Os números são resultado das ações realizadas pelos policiais militares do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), que desde o dia 1º de janeiro intensificaram as fiscalizações por meio da Operação Verão, abrangendo diversos municípios da região.

Foto: Divulgação

Do total de autuações, os condutores apresentaram resultado positivo no teste do etilômetro ou recusaram-se a realizar o teste de alcoolemia, conduta que também configura infração administrativa, conforme a legislação vigente. Em comparação com o mesmo período de 2025, quando 61 condutores foram autuados por esse tipo de infração, observa-se um aumento significativo, o que reforça a necessidade da manutenção e intensificação das ações de fiscalização.

De acordo com o comandante da 3ª CIA do PRE, Luis Beiger, além das sanções administrativas, a condução de veículo sob efeito de álcool está diretamente relacionada a sinistros de trânsito graves, como atropelamentos, colisões frontais e capotamentos, que resultam em danos à saúde e colocam vidas em risco, além de estar a ser preso em flagrante. “As operações de alcoolemia são realizadas diariamente e continuarão sendo intensificadas com o objetivo de prevenir sinistros e preservar vidas”, relatou.