2016 930415891-201608121358167193.jpg_20160812.jpgBRASÍLIA – O ministro do Exterior do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, acusou o governo brasileiro de tentar comprar o voto do país para suspender a transferência da presidência temporária do Mercosul para a Venezuela em troca de novos acordos comerciais. A informação é do jornal ?El País? do Uruguai. Uma nota oficial com o desmentido deve ser divulgada ainda nesta terça-feira pelo Itamaraty.

A reportagem teve acesso às notas taquigráficas da reunião da Comissão de Deputados de Assuntos internacionais, realizada na semana passada. Lá, o chanceler uruguaio disse:

?Nós não gostamos muito que o chanceler (José) Serra tenha vindo ao Uruguai para nos dizer ? e isso é publico, por isso eu digo ? que viriam com a alegação de que a transferência deve ser suspensa e, se suspensa, iriam continuar as negociações com outros países, como se quisessem comprar o voto do Uruguai.

O jornal lembra que Serra chegou ao Uruguai acompanhado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 5 de julho para se encontrar com o presidente Tabaré Vázquez e o chanceler uruguaio. E que, numa conferência de imprensa, Serra revelou que o Brasil faria “uma grande ofensiva” comercial na subsaariana e no Irã e queria tomar Uruguai e não o todo Mercosul como “parceiro”. Por sua vez, ele pediu ao governo para suspender a transferência da presidência do Mercosul para a Venezuela.

“O presidente disse que clara e enfaticamente: Uruguai irá cumprir com os regulamentos e chamará a mudança da presidência” do Mercosul, frisou o ministro das Relações Exteriores, segundo o ?El País?.

Em todos os momentos, de acordo com a edição, Nin Novoa deixou claro que o Uruguai entende que a Venezuela é o ocupante legítimo protempore da presidência e, se convocar uma reunião, o Uruguai estará presente.