A pandemia do novo coronavírus mudou a vida de muitas pessoas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Uma das maiores dificuldades encontradas foi o atendimento às pessoas com deficiências. Na universidade, o Programa Institucional de Ações Relativas às Pessoas com Necessidades Especiais (PEE) atende aproximadamente 40 alunos nos seus cinco câmpus.

Uma das acadêmicas beneficiadas com o programa é Liliandra Aparecida dos Santos, 20 anos, estudante de Pedagogia do Câmpus de Francisco Beltrão, que é cega. Cursar Pedagogia foi um incentivo da mãe, que também era pedagoga. Além disso a falta de professores especializados na área da deficiência visual e a cegueira total também foram motivos para ela seguir os passos da mãe.

“Ela me preparou bem, sempre me incentivou a fazer as coisas sozinha, para sempre me virar, eu sou praticamente independente, são poucas atividades que preciso de ajuda”, diz.

Segundo Michaelli Maria Pires, pedagoga do PEE, o apoio dado para a estudante é na adaptação de textos para leitores, a audiodescrição de vídeos e imagens e a orientação para os professores. Além do apoio técnico, o programa percebeu que a estudante também precisava de apoio pedagógico.

“Percebemos que ela necessita de um apoio pedagógico, que era o apoio que a mãe dava para ela ao ajudar na interpretação e na realização dos trabalhos, como se estrutura um resumo por exemplo, era um atendimento que nós não realizávamos antes. É isso que muda além da adaptação dos textos que nós já realizamos”, afirma a pedagoga.

A estudante destaca ainda o trabalho do PEE nas atividades acadêmicas. “O PEE está me ajudando bastante porque os professores mandam textos em pdf e os programas que eu uso tanto no celular, quanto no computador, não leem pdf, então o PEE ajuda na parte da adaptação dos textos, na descrição das imagens e de vídeos. Quando os professores enviam filmes com imagens diferentes, a Michaelli vê o filme comigo para fazer as descrições, está me ajudando muito nessa parte”, explica a estudante.

Algumas ferramentas ajudam a estudante na hora dos estudos como a impressora braile, a linha braile, e o multiplano. “Isso auxilia com que os alunos com deficiência visual possam fazer as suas leituras em braile. Os estudantes recebem o material impresso, o PEE faz as adaptações, imprime e reencaminha para o aluno ler em casa esse material”, aponta Ivã José de Paula, coordenador do PEE.

A linha braile é um equipamento que possibilita a leitura de livros em braile, já que é possível armazenar na memória vários livros tendo um volume menor de material, o aluno pode fazer a leitura linha por linha.

UNIVERSIDADE INCLUSIVA – Para Ivã, a universidade tem o papel de desenvolver todas as potencialidades dos alunos, especialmente dos estudantes que possuem algum tipo de deficiência, para que eles possam aprender os conhecimentos. “A Unioeste é inclusiva na medida em que trabalha as diferentes necessidades dos acadêmicos e utiliza instrumentos pedagógicos e tecnológicos de forma que potencialize a capacidade. Mesmo com a deficiência ela tem potencialidade que pode ser explorada para que possa ter o sucesso acadêmico e, depois que concluir a graduação, no mercado de trabalho”, afirma.

O Programa Institucional de Ações Relativas às Pessoas com Necessidades Especiais está presente em outros câmpus da Unioeste. “O PEE é um projeto multicâmpus com a ideia de que todos os câmpus também se ajudem para poder apoiar, ter mais mecanismos, fazer a inclusão dela que seja efetiva e real”, destaca.

Para a pedagoga, que trabalha desde setembro no PEE, a área da educação especial sempre chamou muita atenção. “Fazer esse trabalho hoje é muito importante para minha caminhada, essa área precisa de profissionais que realmente se dediquem a isso, olhem para esse público de uma forma com as potencialidades que eles têm. Sempre vi dessa forma, por isso que hoje estou nessa área”, pondera Michaelli.

No câmpus de Francisco Beltrão, o PEE atende quatro alunos com deficiência visual, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), esclerose múltipla e deficiência intelectual. “Cada vez mais vamos construindo uma universidade para todos dentro do desenho universal em que todos possam se sentir bem e respeitados e que sejam atendidas as especificidades de todos os jeitos”, afirma Ivã.

PARANÁ INVESTE – O investimento para a educação especial deve ser ampliado em 10% segundo o Governo do Estado. O novo acordo prevê investimentos de R$ 432,3 milhões no ciclo que começou no dia 1º de agosto e vai até o fim de janeiro de 2023 para o atendimento de cerca de 41 mil estudantes. Conta com 400 parcerias com organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, mantenedoras de escolas de Educação Básica na modalidade de educação especial, de Centros de Atendimento Educacional Especializados e de Escolas para Surdos e/ou Cegos.

VESTIBULAR 2021: BANCA ESPECIAL – A Unioeste traz um histórico de preocupação com a acessibilidade dos candidatos que necessitam de alguma atenção especial (auditiva, motora e visual) e distúrbios psicológicos (dislexia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade [TDAH]. Neste ano não foi diferente: 41 pessoas requisitaram o direito de banca especial no ato da inscrição, 22 em Cascavel, 8 em Foz do Iguaçu, 4 em Francisco Beltrão, 5 em Marechal Cândido Rondon e 2 em Toledo.

“Estes candidatos contaram com intérpretes de Libras, transcritores, ledores, gráficos de questões da prova em alto relevo, entre outros recursos que lhe propiciaram igualdade de condições, como o acréscimo de 50% de tempo em relação aos demais postulantes a uma vaga na instituição”, explica a coordenadora da Banca Especial do Vestibular Unioeste, Lúcia Terezinha Zanato Tureck.